terça-feira, 17 de agosto de 2010

ZANATA

Carlos Alberto Zanata Amato
Nascimento: 6/9/1950, São José do Rio Pardo-SP
Período: 1973 a 1978
Títulos: Campeão Brasileiro (1974), Campeão Carioca (1977)
Posição: Meia








Zanata também exerceu a função de técnico no Vasco. A primeira vez foi em 1983, por poucos meses. Retornou no segundo semestre de 1988, saindo em fevereiro de 1989.




Estrela, havia só o Andrada. Então, chegou Zanata.
(Maurício Azêdo/Revista Placar)



Zanata é um dos meus ídolos de infância... Mal descobri o futebol e me encantei com o timaço de 1977. Uma equipe memorável!... Que vascaíno nos anos 70 não conhecia essa escalação de cor?! Sai de bate-pronto, não tem erro: Mazzaropi, Orlando, Abel, Geraldo e Marco Antônio; Zé Mário, Zanata e Dirceu; Wilsinho, Roberto e Ramón.
Esse esquadrão do Vasco foi muito bem armado pelo inesquecível “Titio” Orlando Fantoni e dominou o Campeonato Carioca, vencendo os dois turnos (evitando a realização de uma partida final). Teve o ataque mais positivo e a defesa menos vazada - sofreu apenas 5 gols em 29 jogos e ficou conhecida como a "barreira do inferno".

Vamos então recordar um pouco da carreira daquele que foi, por alguns anos da década 70, o ponto de equilíbrio do Vasco. Zanata, o Popó, o Paletó Velho - seus apelidos - um sujeito simples, despojado, mas que jogava muito!




"Dono de um futebol técnico, excelente passe e grande qualidade ofensiva, Carlos Alberto Zanata iniciou sua carreira em 1969, aos 19 anos, jogando pelo Flamengo, no qual foi peça fundamental na conquista do Campeonato Estadual de 1972. No ano seguinte, desembarcou em São Januário.
E foi exatamente pelo clube cruzmaltino que Zanata ganhou maior destaque e viveu a grande e inesquecível fase de sua vida. Lá, o habilidoso meia conquistou os títulos mais marcantes de sua carreira: o Estadual de 1977 e o Brasileiro de 74, no qual formou, ao lado de Andrada, Alcir, Ademir, Jorginho Carvoeiro e Roberto Dinamite, um dos grandes times da história do Vasco.
Em 1978, o jogador foi parar no México, mais precisamente no Monterrey, por onde não conquistou títulos mas, como sempre, marcou sua passagem com ótimas atuações. Depois de três anos voltou ao Brasil, para atuar pelo Coritiba." (matéria publicada no Jornal dos Sports e reproduzida no site NETVASCO)



“... ficou três anos no infanto-juvenil e no final de 1969, com 19 anos, recebia do treinador Joubert a oprtunidade de figurar no time principal do Flamengo ao lado de Liminha e Fio. E não saiu mais, tendo seu futebol reconhecido e valorizado ao ponto de ser lembrado para a Seleção Brasileira após a Copa do México. Mas Zagallo não teve chance de colocá-lo em ação, pois num amistoso, ele fraturou a perna...”
(Matéria do jornalista Mauro Pires – jornal O Estado - publicada em 1987 quando Zanata foi para Florianópolis ser técnico do Avaí)

(Zanata recebeu a Bola de Prata da Placar - 1970
e seu nome era cotado para vestir a amarelinha)
“com seu estilo clássico... era um nome certo para a Copa de 74, era o Zanatão-74. E esse aumentativo do nome do jogador (que se escreve com dois tt mas foi reduzido a um pela imprensa esportiva carioca) traduzia a admiração que toda a torcida depositava naquela jovem promessa.
Veio, então, o dia 3 de junho de 1971. Numa banal disputa com Tostão, em um amistoso contra o Cruzeiro, Zanata quebrou a perna e permaneceu dez meses inativo. Ele não tinha, ainda, 21 anos. Aquele acidente marcou, profundamente, sua personalidade e seu modo de ver o futebol – os bons contratos que deixou de fazer, a Seleção que não o convocou, os gols que não fez. Tudo está relacionado com aquele 3 de junho de 1971. Tudo isso e mais a sua modéstia; a vertigem que domina os jogadores de clubes grandes, seu vedetismo, a desproporção entre o que valem realmente e o que pensam que valem, os hábitos extravagantes – essa vertigem não o cantagiou.” (Placar n.405, jan/1978)


Revirando meu armário, encontrei antigas revistas com matérias sobre o Zanata... vou procurar seguir uma ordem cronológica.


A chegada de Zanata ao Vasco - 1973

A Revista Placar n. 151(fev/1973) trazia Zanata na capa e comentava sua contratação pelo Vasco. “... o Vasco, surpreendendo a todos, contrata Zanata. Parace que o Vasco quer recolocar nos trilhos o Expresso da Vitória. ... ... além de garantir um ótimo substituto para Buglê (no caso dele sair mesmo), contratou o jogador que estava nos planos do técnico Mário Travaglini desde 1972”

“Zanata cai como uma luva no time”, afirmava o técnico Travaglini.





Capa da Placar homenageando o primeiro
clube carioca Campeão Brasileiro


A conquista do C. Brasileiro de 74
(Placar n. 229 – agosto/1974)

Esta edição da Revista Placar dedicou sete páginas à conquista do Vascão. Uma cobertura da final, Vasco 2x1 Cruzeiro, onde é relatada a importância do Zanata na partida:
“... o Vasco, humildemente, superou-se em todos os sentidos. Zanata dava uma excelente cobertura aos seus zagueiros e armava com uma incrível velocidade...”
e ainda uma matéria sobre o segredo do Campeão: " O milagre da dedicação"







ZANATA  -  O  homem  do  primeiro  Brasileirão

Vasco x Cruzeiro - Zanata marca Dirceu Lopes
(foto publicada na Placar) 
"Jorginho Carvoeiro fez contra o Cruzeiro o gol do título; mas, naquele time de mais raça do que técnica, Zanata se sobressaía com talento.
Ele tinha tudo para não ser bem recebido no Vasco, pois era muito identificado com o Flamengo ... ... Mas bastava Zanata pegar na bola, principalmente quando saia da defesa fazendo a ligação com o ataque, que isso era esquecido. Ele conduziu o time com serenidade e, ao mesmo tempo, com muita raça ao título de 74, cobrando faltas e executando cruzamentos com perfeição. Quando ninguém acreditava que o Vasco pudesse superar no quadrangular decisivo três forças do futebol, como Santos, Cruzeiro e Internacional, estava lá Zanata." (Lance – Série Grandes Clubes 2001)


VASCO/74 - Andrada, Miguel, Alcir, Fidélis, Moisés e Alfinete
Jorginho Carvoeiro, Zanata, Ademir, Roberto e Luiz Carlos.
 Das 28 partidas realizadas pelo Vasco na campanha do Brasileirão de 1974, Zanata participou de 26. Fez apenas dois gols, sendo um deles o do empate com o Internacional no Maracanã na fase decisiva.


(recorte da capa da Placar n.276 - jul/75)
Matéria na Placar n.276  (julho de 1975)
O Vasco era o Campeão Brasileiro (1974) e a Revista Placar faz uma matéria com Zanata sobre a queda de produção do time que foi eliminado na primeira fase da Taça Libertadores e ainda perdeu a Taça Guanabara e o segundo turno do Campeonato Carioca. Na época com 24 anos, Zanata já era um líder e gostava de falar o que pensava.
O meia admitia que a máscara estava prejudicando o Vasco... “o título de campeão brasileiro... mudou muita coisa”.  Já não havia a mesma união entre os jogadores.
Esta edição da revista relata um escândalo envolvendo os jogadores do Vasco naquele ano de 1975. A Portuguesa,  interessada na vitória do Vasco sobre o Olaria, teria entregue ao zagueiro Moisés uma quantia em dinheiro (30.000 cruzeiros) para ser dividida entre os jogadores em caso de vitória do Vasco. Zanata, de acordo com a Placar, foi o único que não aceitou. E declarou: “Sou pago, e bem, para defender o Vasco. Sou um funcionário do clube, com obrigações e direitos. Entre essas obrigações, está a dedicação total ao clube. Portanto, não tem o menor sentido alguém de outro clube vir me oferecer um prêmio para vencer uma partida. Afinal, se ninguém me oferecer dinheiro, não vou me esforçar para ganhar?” E sem querer comentar a atitude dos colegas, completou: “isso é problema de cada um”.




Participação no Golaço Histórico de Roberto Dinamite


"No dia 9 de maio de 1976 foi marcado um dos gols mais bonitos da história futebol brasileiro. Ele foi marcado por Roberto Dinamite, num jogo do Vasco contra o Botafogo, no Maracanã, no Campeonato Carioca de 1976. Na jogada, o ídolo vascaíno recebeu a bola da direita, matou-a no peito, aplicou um lençol no zagueiro Osmar e fuzilou o arqueiro Wendell. O gol, aos 45 minutos do segundo tempo, garantiu a vitória vascaína de virada por 2 a 1 naquele jogo. O lance ficou conhecido como "O gol do lençol em Osmar".
Faltavam duas rodadas para o fim da Taça Guanabara (primeiro turno do Carioca de 1976) e o Vasco, um ponto atrás do líder Flamengo, precisava vencer o Botafogo para manter as chances de ganhar o turno.
O primeiro tempo terminou com a vitória parcial do Alvinegro por 1 a 0, gol marcado por Ademir aos 43 minutos. Aos 18 minutos do segundo tempo, porém, Roberto recebeu a bola na esquerda e, quase sem ângulo, chutou. O goleiro Wendell defendeu, mas o próprio Dinamite pegou o rebote e chutou forte para empatar.

(Ilustrações da Revista Placar)
Mas a igualdade no placar não interessava ao Vasco, que continuou buscando a vitória. Até que, aos 45 minutos, Dinamite lançou Zanata na direita e correu para a área. Zanata cruzou na medida e Roberto, na altura da marca do pênalti, matou a bola no peito, deu um lençol curto no zagueiro Osmar e, sem deixar a bola cair no chão, fuzilou o goleiro Wendell, marcando o gol da vitória que manteve o Vasco na briga pelo primeiro turno.
Na última rodada, o Vasco venceu o Olaria por 3 a 0 em São Januário (gols de Luís Fumanchu, Dé e Dinamite) e, beneficiado por um empate sem gols do Flamengo com o Fluminense, terminou empatado com o Rubro-Negro, forçando um jogo-extra para decidir a Taça Guabanara. A finalíssima foi realizada no dia 13 de junho de 1976 e o Vasco venceu por 5 a 4 nos pênaltis, após um empate por 1 a 1 no tempo normal." (Fonte: NETVASCO)




(recorte da capa da Placar n.393)
 O avanço do carregador de Dinamite

(Placar n.393 – novembro de 1977)

Placar destacava a importância tática de Zanata para o Vasco:

"...no Vasco Campeão Brasileiro de 1974, Zanata resistia, ao lado do ídolo, artilheiro e prata-da-casa Roberto, às constantes mudanças e evoluções da equipe treinada por Mário Travaglini... no Vasco Campeão Carioca de 1977, Zanata marcava e lançava, despertava na torcida a confiança, tornando-se peça fundamental no Vasco"

Pela qualidade técnica e pelo bom desempenho tático, o camisa 8 de São Januário fazia o "Titio" Fantoni afirmar: Zanata cresceu em importância dentro do esquema ofensivo do Vasco.

Quando perguntado sobre o que representava para o Vasco da Gama, Zanata declarava:
“- Bom, em primeiro lugar, quero dizer que acho o Helinho e o Paulo Roberto grandes jogadores. A prova disso é que o Vasco ganhou os dois turnos do Campeonato Carioca e, apesar do revezamento que fizemos, o conhunto não teve seu rendimento diminuído. Não somos um time de apenas um jogador. Se demonstrei nervosismo nas vezes em que fui substituído antes de o jogo acabar, foi simplesmente porque gosto de jogar. Não é rebeldia contra o técnico. Saio irritado, é verdade, mas de cabeça fria. Sei que o técnico está certo e tem suas razões para fazer as mudanças que acha necessárias”
E ainda nesta matéria da Placar: “Zanata pode dizer que não mas, na verdade, o time sentiu sua ausência em muitos jogos. É como diz o capitão e guru do time, Zé Mário. Para ele, Zanata é um jogador que enxerga, com poucos, o andamento de uma partida. Uma qualidade que é fundamental na posição em que joga e que pode ser decisiva para o resultado de um jogo.”

Obs.: Pela qualidade do seu futebol, Zanata era sim fundamental ao time. Mas, na conquista do Campeonato Carioca de 1977, o meia atuou em apenas 15 dos 29 jogos disputados pelo Vasco. E, se observarmos as súmulas do campeonato (www.ibracrvg.hpg.com.br/1977.htm), veremos que em muitos jogos o Helinho entrava em seu lugar.


Zanata, entre Mazzaropi e Abel, recebendo a faixa de Bi Campeão da Taça Guanabara 76/77
(foto do acervo da família do atacante Ramón)


Clássica foto do Esquadrão de 1977


(foto de Sebastião Marinho - Placar n.151)





"...um homem singular, como craque e como gente, um exemplo raro de dignidade num mundo desfigurado. O mundo do futebol."
(Maurício Azêdo/Revista Placar - jan/1978)


Fontes:

- Revista Placar (números 151, 229, 276, 393, 405)
- Revista Lance - Série Grandes Clubes (Edição Especial 2001)
- NETVASCO
   (súmulas do Vasco na temporada de 1977)
- Site do Milton Neves

Um comentário:

  1. Fantásticas histórias sobre as grandes conquistas do nosso vascão! Fico feliz em conhecer um pouco mais da história nesse blog!
    Parabéns professor!
    Um abraço!

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