sábado, 28 de agosto de 2010

DANILO ALVIM


Danilo Faria Alvim
Nascimento: 3/12/1920, Rio de Janeiro-RJ
Falecimento: 16/5/1996, Rio de Janeiro-RJ
Período: 1946 a 1954
Títulos: Carioca (1947, 1949/50, 1952) e Sul-Americano (1948)
Posição: Médio

 
"O  Príncipe"
 
 
 
 
 
 
 
 
 

“Príncipe! Era mesmo uma apelido perfeito. Danilo tinha técnica refinada, que se expressava em dribles curtos, passes precisos e lançamentos majestosos” (Revista Placar “Os Esquadrões dos Sonhos” nov/1994)
 
 

Confira a biografia de Danilo publicada pela Revista Placar e reproduzida pelos sites "Museu dos Esportes" e NETVASCO:


"Por pouco Danilo Alvim não ficou inutilizado para o futebol quando começava a jogar como profissional. Em janeiro de 1941, ao descer de um ônibus, na Praça da Bandeira, e tentar pegar um bonde em movimento, foi atropelado por um automóvel. O boletim de uma das enfermarias do Hospital de Pronto Socorro, que depois mudou o nome para Hospital Souza Aguiar, informava que o paciente Danilo Faria Alvim, de 19 anos, jogador do América, havia fraturado as pernas (em 39 lugares! ficando com a tíbia exposta). Ele ficou 18 meses engessado. Somente no segundo semestre de 1942 é que voltou a fazer exercícios de recuperação muscular. Mesmo com dificuldade, sua paixão pela bola era tão grande que nunca o deixou perder as esperanças de voltar a jogar futebol.
Chico, o técnico Flávio Costa e Danilo 
(foto publicada na Placar Especial "VASCO", abril/1979)
Voltou exibindo tanta classe e categoria que logo recebeu o apelido de Príncipe. Sua oportunidade surgiu quando o técnico Flavio Costa levou uma seleção carioca para treinar no campo do América. O centro médio Rui se machucou e Flavio colocou Zazur em seu lugar. Para completar o time reserva, pediu ao treinador dos juvenis do América que indicasse um jogador do clube para terminar o treino. Danilo que estava nas arquibancadas foi chamado e entrou para treinar contra os cobras com muita naturalidade. Terminado o treino, Flavio Costa convocou Danilo.
Antes de se transferir para o Vasco da Gama, ainda jogou no Canto do Rio em 1943. Foi para lá por empréstimo, dispensado pelo técnico do América, Gentil Cardoso. Percebendo a mancada que deu, Gentil o trouxe de volta para Campos Sales.
Danilo foi para o Vasco através do treinador Ondino Vieira, que foi pessoalmente contratá-lo por 90 contos de luvas e 2 contos mensais. Ganhou seu primeiro titulo de campeão carioca em 1947. Repetiu a dose em 1949. 1950 e 1952. Também foi campeão dos clubes campeões em 1948 no Chile. Campeão brasileiro pela seleção carioca em 1950 e campeão sul-americano em 1949. Foi vice campeão mundial em 1950, quando sofreu a maior decepção de sua carreira. Em 1954 se transferiu para o Botafogo onde ficou por dois anos. Mas, já não era o mesmo. Estava chegando ao fim uma das mais brilhantes carreira de um jogador de futebol. Depois de quinze anos correndo atrás da bola, Danilo entregava os pontos. Logo depois virou técnico. Em 1963, como treinador da seleção da Bolivia, conquistou o titulo de campeão sul-americano.
 Danilo Alvim que chegou a ser o “O Príncipe do futebol brasileiro”, passou seus últimos de dias na rua da amargura. Vivendo com uma aposentadoria de salário mínimo, morava em um pequeno apartamento no centro do Rio de Janeiro. Depois da morte de sua mulher, a solidão tomou conta de Danilo. Com a memória desgastada pelo tempo, Danilo faleceu no dia 16 de maio de 1996. (Revista Placar - reproduzido no NETVASCO)




A ida de Danilo Alvim para o Vasco


O Príncipe recebendo
a faixa de Campeão/1952
“Assim, na última rodada do torneio (Torneio Relâmpago de 1945), teríamos mais um Vasco e América decisivo. Mas naquele dia, não brilhou nem a estrela de Lelé, nem a de Isaías, muito menos a de Chico: quem acabou com o jogo foi Danilo Alvim. Com uma atuação impecável, o craque levou a equipe rubra a virar o marcador adverso de 1 a 0 e levantar o troféu com uma bela vitória por 2 a 1, com gols de Maneco. A diretoria vascaína não deixou barato e no ano seguinte levou Danilo para São Januário, mantendo a tradição de que quem arrebentasse contra o Vasco não poderia mais fazê-lo, já que teria que passar rapidamente para o lado da nau vascaína. E o Príncipe, como foi carinhosamente chamado pela torcida, seria um dos grandes ídolos do clube em bem pouco tempo” (pág 12 e 13  do Livro “Um Expresso Chamado Vitória”)







Príncipe Danilo, Nilton Santos e Zizinho - geniais!
(foto publicada na Manchete Esportiva)
Na Revista Manchete Esportiva n.102, de novembro de 1957, há uma matéria com o Príncipe Danilo (aliás, a foto acima é desta revista). Reproduzo uma pequena parte: " Danilo viu atuar muita gente e considera Zizinho, Jair e Ademir um trio de atacantes como talvez não surja outro igual. Entretanto, dos novos, fala com especial admiração dos ponteiros Garrincha e Telê (são os maiores jogadores que já vi em toda minha vida - diz Danilo). Um scratch de todos os tempos assim poderia ser escalado por Danilo - Barbosa (Castilho); Augusto e Domingos; Bauer, Rui e Noronha; Garrincha (Telê), Zizinho, Ademir, Jair e Vevé."
Como podem perceber, por humildade, o Príncipe não se escala no time de todos os tempos (em 1957), mas certamente teria vaga nele.



Danilo, Jorge e Ely
(foto que fiz de um dos painéis do Vasco que há no Maracanã)


O “Príncipe Danilo”, com toda a elegância de seu futebol, formou, ao lado de Ely e Jorge, a linha média mais famosa do futebol brasileiro envergando a gloriosa camisa cruzmaltina.







O jornalista (e vascaíno) Sérgio Cabral fala um pouco sobre o Príncipe em sua crônica na Revista Oficial do Vasco deste mês, recordando dois grandes lances de Danilo:


“Vasco x Bangu, domingo de manhã, no Maracanã: o goleiro Barbosa cobrou tiro de meta e correram para alcançar a bola Danilo e Zizinho. Danilo chegou à frente e, com um leve toque com o peito do pé, encobriu o adversário. Ou seja, Danilo deu um lençol no Mestre Ziza, que maravilha! Mas não posso esconder o fato de que, no segundo tempo, Zizinho daria o mesmo lençol em Danilo. Eram dois jogadores fantásticos.
Não me lembro se já contei aqui a estranha matada de bola do Príncipe Danilo, num Vasco x Fluminense. Sei que o ponta-esquerda tricolor, Joel – que não era craque, mas chutava com incrível violência -, disparou uma bola que, se tivesse a velocidade medida, deve ter atingido algo em muito próximo dos 200 quilômetros por hora. Sei que Danilo, a mais ou menos 10 metros do chute, levantou a perna, a bola percorreu-a toda (imaginem onde parou) e o nosso Príncipe saiu com ela como se tivesse recebido o passe de um companheiro.
Para minha alegria, tempos depois vi o Danilo conversando com o Sandro Moreira, na redação do Diário da Noite, onde iniciei minha vida de jornalista. Aproximei-me e entrei na conversa para perguntar a Danilo, primeiramente, se ele lembrava da jogada e, em seguida, para revelar com que parte do corpo matara aquela bola. “Com a cabeça”, me disse sorridente, expressão que traduzi: “com a inteligência”. Mas até hoje, não sei onde a bola bateu. Se fosse no local para onde ela se dirigia, Danilo deveria ter saído direto do Maracanã para o pronto-socorro.”
(Revista Oficial do Vasco, agosto/2010, Crônica do Sérgio Cabral)








Pela seleção brasileira, foi campeão Sul-Americano em 1949 e vice Mundial em 1950. Foi um dos jogadores mais técnicos que o Brasil viu jogar e um dos mais dedicados às camisas que vestiu.















Na final da Copa de 1950, com a inesperada derrota para o Uruguai, Danilo saiu chorando do Maracanã, amparado pelo locutor Jaime Moreira, momento registrado em uma das mais famosas fotos do “Maracanazzo”.









Danilo no Botafogo
(foto da Manchete Esportiva)
"Em 1953, transferiu-se para o Botafogo e em 56, de passe livre, assinou com o Uberaba, acumulando as funções de jogador e técnico. Reza a lenda que, no ano seguinte, quando Danilo Alvim queria ser só treinador, o Santos foi jogar um amistoso em Uberaba. O então bicampeão paulista tinha nada mais, nada menos, que Jair Rosa Pinto na meia-esquerda. Mas em campo, de maneira surpreendente, o Colorado findou a primeira etapa empatado com o time da baixada santista. Então, durante o intervalo, no vestiário, antes das instruções, Alvim calçou as chuteiras e disse: “Vou fazer esse segundo tempo”. Foi, fez e ajudou o Colorado a vencer. No final, parabenizado por Jair, teria dito ao ex-companheiro de seleções e do Vasco que aquela fora a sua última partida como jogador profissional. Em 57, convenceu Zizinho, o Mestre Ziza, outro dos grandes jogadores da história do futebol brasileiro, a jogar no Uberaba.
Como treinador levou a Bolívia ao seu único título sul americano, em 1963. Segundo o ex-zagueiro Pavão, que foi treinado por Danilo no Uberaba no final dos anos 50, o “Príncipe” contou que havia perdido praticamente tudo o que havia ganho como grande jogador que foi e que só restava uma casa no Rio de Janeiro em seu nome. Pediu para que não jogassem dinheiro pela janela e evitassem desperdícios. Infelizmente, as suas lições não o livraram de um destino triste, pois findou os dias em um asilo de velhos no Rio de Janeiro, onde morreu de pneumonia em 16 de maio de 1996."
(Blog "Só Vasco da Gama", Jorge Costa)


Obs. 1) Juntamente com Barbosa, Ademir Menezes e Roberto Dinamite, Danilo forma um grupo restrito de ex-jogadores vascaínos que figurou em todas as eleições de "melhor time do Vasco de todos os tempos" realizadas até hoje pela Revista Placar (publicações nos anos de 1982, 1994 e 2006).

Obs. 2) Com a camisa cruzmaltina, Danilo fez 310 jogos e 11 gols. (Revista Placar "Meu Time dos Sonhos", 2006)





"Danilo era alto, magro e tinha estilo clássico e técnica refinada, com absoluto controle de bola e passes e lançamentos precisos. No Vasco, continuou a demonstrar toda a sua categoria na fase áurea do mitológico Expresso da Vitória e foi titular de todas as Seleções, inclusive a vice-campeã da Copa de 1950."  (Mauro Prais)


“Ah, o Danilo... Como ele jogava!!!” – Tia Aida: fundadora da Torcida Organizada do Vasco (TOV).







Fontes:

- Revista Placar "Os Esquadrões dos Sonhos" (nov/1994)
- Revista Placar "Meu Time dos Sonhos" (2006)
- Site NETVASCO
- Site do Mauro Prais (www.netvasco.com.br/mauroprais)
- Livro “UM EXPRESSO CHAMADO VITÓRIA”, Alexandre Mesquita e Jefferson Almeida
- Blog "Só Vasco da Gama" (http://sovascodagama.blogspot.com/), Jorge Costa
- Revista Manchete Esportiva, n. 102, novembro de 1957
- Revista Oficial do Vasco (agosto/2010)


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

FAUSTO



Fausto dos Santos
Nascimento: 28/1/1905, Codó-MA
Falecimento: 28/3/1939, Santos Dumont-MG
Período: 1928 a 1931 e 1933 a 1934
Títulos: Campeão Carioca (1929, 1934)
Posição: Médio



          “Maravilha Negra”








“Um maestro em campo. Assim era o maranhense Fausto, apoiador que, na Copa de 30, jogou tanto que ganhou o apelido de Maravilha Negra, dado pelos uruguaios. Foi o único jogador brasileiro que escapou do fracasso naquele Mundial. Encantava os vascaínos pela elegância, visão de jogo e liderança. Até o surgimento de Zizinho, foi o melhor meio de campo da história do futebol brasileiro.” (Revista Placar, QUEM É QUEM – 581 CRAQUES DO BRASIL)
  



Fausto
"Fausto teve uma infância difícil, por força da miséria no Nordeste brasileiro. Sua mãe, dona Rosa, queria um futuro melhor para o filho, coisa que dificilmente teria no interior maranhense. Por isso foi com a família tentar a sorte no Rio de Janeiro, então a capital e maior cidade do Brasil.

Naqueles áureos tempos em que os campos de futebol se espalhavam por todos os cantos da cidade, Fausto encontrou sua vocação, ao manter uma relação íntima com a bola. Ele a chamava de tu e ela o obedecia em todos os malabarismos que fazia, caindo sempre aos seus pés, como se uma escrava fosse. Era aquilo que hoje chamamos de domínio da bola.
Em 1926, Fausto, alto e magro, aparecia jogando como titular da equipe do Bangu Atlético Clube, atuando de meia atacante e mostrando sinais evidentes de que se tratava de um verdadeiro craque. Era bonito vê-lo tocar na bola, dar a matada no peito, driblar, fazer ginga, no desarme e na preparação do gol. Todas essas qualidades encantaram a Henry Welfare, um inglês radicado no Brasil e técnico do Clube de Regatas Vasco da Gama.
Fausto gostava do Bangu e era apegado aos companheiros. Por isso, resistiu para sair do clube vermelho e branco..."
(Blog "Só Vasco da Gama", Jorge Costa) 


"... ... nos campeonatos cariocas de 26 e 27, Fausto mostrava que era bom de bola. Porém, era mais conhecido pela sua vida boêmia.
Tinoco, um de seus muitos amigos de jornadas noturnas, jogava no Vasco da Gama e sempre insistia para Fausto vestir a camisa preta com a cruz do lado esquerdo do peito do clube de São Januário. Os principais argumentos eram que no Vasco ele ganharia fama e que Bangu era muito distante. Em 1928, Fausto cedeu aos apelos dos companheiros e se transferiu para o Vasco..." ("Fausto, de Codó para o mundo", José Rezende)


Jaguaré, Tinoco, Fausto, Itália e Brilhante - Vasco/1929
(recorte de foto publicada na Revista O MALHO)


 "... era o destino natural. O Vasco era um clube que procurava ascender, ao mesmo tempo combatendo uma odiosa, porém disfarçada, discriminação racial. Construíra, em 1927, o maior estádio do Brasil - o fantástico São Januário. Contratara para treinador o britânico Harry Welfare. O Vasco crescia e Fausto crescia também, à sua maneira.
No esquema de Mr. Welfare, anterior ao WM, o center-half era peça fundamental. E para essa posição foi escalado Fausto, formando com Tinoco e Mola uma das linhas médias mais famosas do futebol brasileiro. Com ela o Vasco conquistou, em 1929 o título de campeão carioca pela AMEA, Associação Metropolitana de Esportes Atléticos. Mesclava jogadores novos - como Fausto e Jaguaré, um excepcional goleiro - com veteranos campeões de 1924, como Brilhante e Paschoal." (Placar  "As Maiores Torcidas do Brasil - VASCO", abril de 1979)


“Em 1929, a equipe do Vasco, formada por jogadores do naipe de Brilhante, Itália, Fausto , Santana e Russinho, foi uma das melhores de sua história. Com apenas uma derrota, o esquadrão de São Januário terminou o campeonato empatado com o América, que, tendo conservado a base de 28, foi um adversário difícil. Pela primeira vez o título de campeão carioca teria que ser decidido numa melhor-de-três.
A primeira partida, disputada nas Laranjeiras, foi equilibrada e terminou com um empate em branco. Mas o América levou azar, já que Osvaldinho chutou um pênalti na trave. No segundo jogo, ainda nas Laranjeiras, deu outro empate – 1x1, com gols de Russinho para o Vasco, e do inevitável Osvaldinho para o América. A finalíssima, ainda no campo do Fluminense, foi sensacional. Mexendo com os nervos da torcida, o jogo bateu todos os recordes de público da época, proporcionando a assombrosa renda de 130 contos de réis. Com 3 gols do centroavante Russinho, um de Mário Mattos e outro de Santana, o Vasco aplicou um memorável 5x0 no time rubro, sagrando-se campeão.” (O Expresso da Vitória, uma história do fabuloso Vascão “Machão” da Gama – Abraham B. Bohadana)

Vasco - Campeão Carioca de 1929
Em pé - Paschoal, Oitenta-e-quatro, Tinoco, Russinho
Mário Matos, Fausto, Santana e Mola; agachados - Brilhante, Jaguaré e Itália.

No seu ótimo livro "O Negro no Futebol Brasileiro", o jornalista Mario Filho revela o temperamento e a importância do Maravilha Negra em São Januário:

"Fausto falava pouco, ia guardando o que tinha de dizer, de repente explodia, lá vinha tudo. Vingava-se dando gritos no vestiário, dando pontapés no campo.
Pouco antes do time entrar em campo, Harry Welfare reunia os jogadores. Era o momento das instruções... ...Welfare nem se atrevia a dizer “faça isso ou aquilo”. Se Fausto brigasse com ele, com quem quer que fosse no Vasco, o Vasco ficaria com Fausto. Quanto mais jogava, mais força tinha dentro do Vasco. Entreva em São Januário de chapéu no alto da cabeça, o paletó desabotoado, a camisa sem um botão, deixando aparecer um pedaço da barriga preta. E olhava para todo mundo de cara amarrada, para ver se alguém não gostava...
Fausto, se estava doente, nem se queixava, bom ou doente tinha de entrar em campo. Também o jogador que estivesse na frente tratasse de tirar o corpo fora. Fausto não conversava, metia logo o pé. Vinha uma bola alta, ele levantava a perna como muma bailarina, as travas da chuteira dele passavam raspando pela cara do jogador do outro time. A bola era de Fausto, não era de mais ninguém.

Pena que Fausto fosse assim, um revoltado. Se não seria o maior center-half brasileiro de todos os tempos.

Welfare não se lembrava de nenhum center-half que tomasse conta de um campo como Fausto. Fausto ficava no grande círculo, as bolas vinham direitinho para onde ele estava. Parecia que ele atraía a bola. Não precisava entrar de sola, tomar a bola à valentona, ameaçando todo mundo..." ("O Negro no Futebol Brasileiro", Mario Filho - trechos das páginas 171 e 173)

Fausto - o que fez do futebol uma arte
"O ano de 1930 vai encontrar Fausto dos Santos como um jogador muito popular, ídolo entre os vascaínos, adorado pelas mulheres que frequentavam os cabarés. Já havia sido selecionado para alguns jogos das Seleções Carioca e Brasileira.
Era ano de Copa do Mundo – a primeira – e os cartolas, para variar, não chegavam a um acordo, perdidos no bairrismo que opunha cariocas e paulistas. Resultado: saiu do Brasil uma Seleção formada por jogadores vinculados ao futebol do Rio, exceção de Arakem Patuska, que pegou o navio em Santos, pois estava brigado com seu clube, o Santos” (Revista Placar Especial VASCO, abril/1979)



"Fausto seguiu com a delegação brasileira e, na capital uruguaia, atuou contra a Iugoslávia e a Bolívia. Suas duas notáveis exibições extasiaram a crônica esportiva e o público uruguaios. Os jornais estampavam manchetes, referindo-se a Fausto como a “Maravilha Negra”.
Brasil na Copa do Mundo de 1930
Fausto é o segundo em pé, da esquerda para direita. Antes dele está o Brilhante.
O quarto jogador em pé é o Itália.
Os três, mais o Russinho, eram os representantes do Vasco no Mundial do Uruguai

Na estréia na Copa do Uruguai, o Brasil perdeu para a Iugoslávia por 2 a 1 e venceu a Bolívia por 4 a 0. Porém, a vitória iugoslava diante dos bolivianos por 4 a 0 tirou o Brasil do mundial. Apesar da eliminação brasileira, o futebol de Fausto estava consagrado.

Em 5 de setembro de 1931, na véspera de uma partida contra o Uruguai, no campo do Fluminense, pela Copa Rio Branco, Fausto recebeu do próprio médico da CBD a notícia de que não jogaria. Uma forte gripe o deixara de cama por vários dias no dormitório de São Januário. Eram os primeiros sintomas da tuberculose. A vida boêmia deixava suas marcas.
Seu futebol continuava o mesmo, mas as freqüentes gripes impediam que suas participações nos jogos fossem constantes. (Blog Só Vasco da Gama, Jorge Costa)

“A Copa transformou Fausto numa espécie de deus para os vascaínos. A partir daí, era figura obrigatória nos noticiários dos jornais, nos bares da Lapa, nas rodas de boemia da cidade.

Sofria a discriminação, revoltava-se, explodia, dentro e fora de campo. Faltava a jogos – ou estava gripado ou expulso, punido pela Liga.
Em 1931, o Vasco foi o primeiro clube carioca a excursionar pela Europa... No primeiro jogo, o Vasco perdeu para o Barcelona por 3 a 2 – mas Fausto ganhou imensa popularidade. E o prestígio subiu, dia seguinte, na revanche, quando o Vasco venceu por 2 a 1.
... Pronto, Fausto tinha conquistado a Espanha. La Maravilha Negra passava a ser também uma definição espanhola.
... Da Espanha, o Vasco foi para Portugal... oito jogos, seis vitórias, um empate e uma derrota.” (Revista Placar Especial VASCO, abril/1979)


Jaguaré e Fausto, do Vasco para o Barcelona.


O Vasco encantou platéias européias, deu show de bola e voltou sem dois de seus principais jogadores: o goleiro Jaguaré e Fausto. Eles não resistiram ao encanto das pesetas espanholas e assinaram contrato com o Barcelona.




Fausto e Jaguaré foram alvos de críticas ofensivas por parte da imprensa. A resposta dos dois eram suas atuações que se transformavam em grandes vitórias para o Barcelona.


 Pelo clube espanhol, o negro brasileiro foi a Paris e recebeu do jornal “France Football” este elogio: "Ele faz com espantosa facilidade o que outros fariam com um esforço sobre-humano. Fausto, com seu futebol maravilhoso, veio ensinar à Europa como deve jogar um center-half".

“Mas já era um homem doente. Seu estado se agravava a cada noitada, a cada esforço que fazia em campo. Com o Barcelona, foi campeão da Catalunha. Mas a derrota ante um clube húngaro apressou sua saída da Espanha. Foi para o Young Fellows, da Suíça. Ficou pouco (apenas dois meses). Em 1934, mais magro, sem vintém, estava de volta ao Vasco. Pagaram 7 contos por seu passe.

Apesar de tudo, Fausto ainda era ídolo, e a torcida prestigiou o Vasco, que voltou a ser Campeão Carioca – pela Liga Carioca de Futebol -, com um super time: Rei, Domingos da Guia e Itália, Gringo, Fausto e Mola, Orlando, Almir, Gradim (ou Leônidas da Silva), Nena e D’Alessandro.

Por ser profissional e, portanto, não filiado à CBD, que na época defendia o amadorismo, Fausto não pôde ir à Copa do Mundo na Itália, em 1934. Mas em 1935, com a mudança de mentalidade, Fausto estava de volta às seleções Carioca e Brasileira.” (Revista Placar Especial VASCO, abril/1979)



Friedenreich, com o cabelo alisado,
 é homenageado durante jogo da Seleção Carioca.
Fausto, à direita, observa.
(foto publicada no livro
"BRASIL UM SÉCULO DE FUTEBOL")
"Ainda em 1935, o Nacional de Montividéu o contratou. No Uruguai não teve o mesmo brilho de antes, sendo expulso de campo em quase todos os jogos. Com a saúde bastante abalada o craque brasileiro não conseguia mais correr os dois tempos de uma partida. E por isso voltou ao Brasil, em 1936, para jogar no Flamengo. No clube rubro-negro teve o azar de se deparar com o técnico húngaro Dori Kruschner, fã do sistema WM que consistia de 3 beques, 2 médios, 2 meias e 3 atacantes e um rígido treinamento físico, até então inédito no país. Fausto já não tinha gás, por isso o técnico o escalou na zaga. Fausto não gostou e pediu rescisão do contrato, que lhe foi negada no clube e na Justiça." (Blog "Só Vasco da Gama", Jorge Costa)




"Em 1938, porém, vendo-se sem chance e humilhado, Fausto se retratou em carta exaltando o trabalho de Kruschner. O “Maravilha Negra” ainda voltou a jogar com o aparente talento de sempre. E foi até cogitado para a Seleção Brasileira que iria à Copa do Mundo, disputada na França, em 1938. Mas a velha e cruel gripe, cheia de tosse, veio abatê-lo de novo. Uma tarde, após jogar entre os aspirantes do Flamengo, sentiu-se mal e teve hemoptise. Quando quis retornar aos treinos, em 1939, os médicos o enviaram ao Sanatório Mineiro, escondido nos cafundós do Estado de Minas Gerais, sem muita esperança de curá-lo da tuberculose.

Sob os cuidados da irmã Catarina, abnegada freira que lhe incutiu a fé cristã através de doutrinação oral e de um livro emprestado, o negro que viera do Rio de Janeiro viveu seus últimos momentos. Ao início da noite, depois de arder em uma febre de graus elevados, com a respiração sôfrega e os pulmões corroídos, Fausto, aos 34 anos de idade deu seu último suspiro.
E por lá mesmo Fausto dos Santos foi enterrado sem grandes pompas em cova rasa, cravada por uma tosca cruz de madeira, sem nome nem data. Morreu tendo conquistado 2 títulos cariocas para o Vasco, em 1929 e em 1934 e marcando seu nome como um dos maiores futebolistas de todos os tempos! E morreu na miséria. Um fim triste para um jogador que, menos de uma década antes, encantara o mundo.” (Blog "Só Vasco da Gama", Jorge Costa)



Fausto dos Santos, a Maravilha Negra, teve uma das carreiras mais brilhantes, rápidas e trágicas do futebol brasileiro!



Itália e Fausto

"Com o seu elegante estilo de matadas no peito, exímio controle de bola e passes longos, esse mulato alto e forte foi o primeiro de uma escola brasileira de jogadores clássicos de meio-campo. Também tinha uma coragem de leão e jamais brincava em serviço, sendo vigoroso na liderança dos companheiros."
(Mauro Prais) 







Fontes:

- Livro "O NEGRO NO FUTEBOL BRASILEIRO" (Mario Filho)
- Revista Placar Especial "As Maiores Torcidas" - VASCO (abril, 1979)
- Blog "Só Vasco da Gama" (http://sovascodagama.blogspot.com/), Jorge Costa.
- Site do Mauro Prais (www.netvasco.com.br/netvasco)
- Livro "O Expresso da Vitória, uma história do fabuloso Vascão “Machão” da Gama" (Abraham B. Bohadana)
- Blog do Oliveira Ramos
(http://www.jornalpequeno.com.br/blog/oliveiraramos)

- Texto de José Rezende ("Fausto, de Codó para o mundo") no site da ABI (http://www.abi.org.br/)


terça-feira, 17 de agosto de 2010

ZANATA

Carlos Alberto Zanata Amato
Nascimento: 6/9/1950, São José do Rio Pardo-SP
Período: 1973 a 1978
Títulos: Campeão Brasileiro (1974), Campeão Carioca (1977)
Posição: Meia








Zanata também exerceu a função de técnico no Vasco. A primeira vez foi em 1983, por poucos meses. Retornou no segundo semestre de 1988, saindo em fevereiro de 1989.




Estrela, havia só o Andrada. Então, chegou Zanata.
(Maurício Azêdo/Revista Placar)



Zanata é um dos meus ídolos de infância... Mal descobri o futebol e me encantei com o timaço de 1977. Uma equipe memorável!... Que vascaíno nos anos 70 não conhecia essa escalação de cor?! Sai de bate-pronto, não tem erro: Mazzaropi, Orlando, Abel, Geraldo e Marco Antônio; Zé Mário, Zanata e Dirceu; Wilsinho, Roberto e Ramón.
Esse esquadrão do Vasco foi muito bem armado pelo inesquecível “Titio” Orlando Fantoni e dominou o Campeonato Carioca, vencendo os dois turnos (evitando a realização de uma partida final). Teve o ataque mais positivo e a defesa menos vazada - sofreu apenas 5 gols em 29 jogos e ficou conhecida como a "barreira do inferno".

Vamos então recordar um pouco da carreira daquele que foi, por alguns anos da década 70, o ponto de equilíbrio do Vasco. Zanata, o Popó, o Paletó Velho - seus apelidos - um sujeito simples, despojado, mas que jogava muito!




"Dono de um futebol técnico, excelente passe e grande qualidade ofensiva, Carlos Alberto Zanata iniciou sua carreira em 1969, aos 19 anos, jogando pelo Flamengo, no qual foi peça fundamental na conquista do Campeonato Estadual de 1972. No ano seguinte, desembarcou em São Januário.
E foi exatamente pelo clube cruzmaltino que Zanata ganhou maior destaque e viveu a grande e inesquecível fase de sua vida. Lá, o habilidoso meia conquistou os títulos mais marcantes de sua carreira: o Estadual de 1977 e o Brasileiro de 74, no qual formou, ao lado de Andrada, Alcir, Ademir, Jorginho Carvoeiro e Roberto Dinamite, um dos grandes times da história do Vasco.
Em 1978, o jogador foi parar no México, mais precisamente no Monterrey, por onde não conquistou títulos mas, como sempre, marcou sua passagem com ótimas atuações. Depois de três anos voltou ao Brasil, para atuar pelo Coritiba." (matéria publicada no Jornal dos Sports e reproduzida no site NETVASCO)



“... ficou três anos no infanto-juvenil e no final de 1969, com 19 anos, recebia do treinador Joubert a oprtunidade de figurar no time principal do Flamengo ao lado de Liminha e Fio. E não saiu mais, tendo seu futebol reconhecido e valorizado ao ponto de ser lembrado para a Seleção Brasileira após a Copa do México. Mas Zagallo não teve chance de colocá-lo em ação, pois num amistoso, ele fraturou a perna...”
(Matéria do jornalista Mauro Pires – jornal O Estado - publicada em 1987 quando Zanata foi para Florianópolis ser técnico do Avaí)

(Zanata recebeu a Bola de Prata da Placar - 1970
e seu nome era cotado para vestir a amarelinha)
“com seu estilo clássico... era um nome certo para a Copa de 74, era o Zanatão-74. E esse aumentativo do nome do jogador (que se escreve com dois tt mas foi reduzido a um pela imprensa esportiva carioca) traduzia a admiração que toda a torcida depositava naquela jovem promessa.
Veio, então, o dia 3 de junho de 1971. Numa banal disputa com Tostão, em um amistoso contra o Cruzeiro, Zanata quebrou a perna e permaneceu dez meses inativo. Ele não tinha, ainda, 21 anos. Aquele acidente marcou, profundamente, sua personalidade e seu modo de ver o futebol – os bons contratos que deixou de fazer, a Seleção que não o convocou, os gols que não fez. Tudo está relacionado com aquele 3 de junho de 1971. Tudo isso e mais a sua modéstia; a vertigem que domina os jogadores de clubes grandes, seu vedetismo, a desproporção entre o que valem realmente e o que pensam que valem, os hábitos extravagantes – essa vertigem não o cantagiou.” (Placar n.405, jan/1978)


Revirando meu armário, encontrei antigas revistas com matérias sobre o Zanata... vou procurar seguir uma ordem cronológica.


A chegada de Zanata ao Vasco - 1973

A Revista Placar n. 151(fev/1973) trazia Zanata na capa e comentava sua contratação pelo Vasco. “... o Vasco, surpreendendo a todos, contrata Zanata. Parace que o Vasco quer recolocar nos trilhos o Expresso da Vitória. ... ... além de garantir um ótimo substituto para Buglê (no caso dele sair mesmo), contratou o jogador que estava nos planos do técnico Mário Travaglini desde 1972”

“Zanata cai como uma luva no time”, afirmava o técnico Travaglini.





Capa da Placar homenageando o primeiro
clube carioca Campeão Brasileiro


A conquista do C. Brasileiro de 74
(Placar n. 229 – agosto/1974)

Esta edição da Revista Placar dedicou sete páginas à conquista do Vascão. Uma cobertura da final, Vasco 2x1 Cruzeiro, onde é relatada a importância do Zanata na partida:
“... o Vasco, humildemente, superou-se em todos os sentidos. Zanata dava uma excelente cobertura aos seus zagueiros e armava com uma incrível velocidade...”
e ainda uma matéria sobre o segredo do Campeão: " O milagre da dedicação"







ZANATA  -  O  homem  do  primeiro  Brasileirão

Vasco x Cruzeiro - Zanata marca Dirceu Lopes
(foto publicada na Placar) 
"Jorginho Carvoeiro fez contra o Cruzeiro o gol do título; mas, naquele time de mais raça do que técnica, Zanata se sobressaía com talento.
Ele tinha tudo para não ser bem recebido no Vasco, pois era muito identificado com o Flamengo ... ... Mas bastava Zanata pegar na bola, principalmente quando saia da defesa fazendo a ligação com o ataque, que isso era esquecido. Ele conduziu o time com serenidade e, ao mesmo tempo, com muita raça ao título de 74, cobrando faltas e executando cruzamentos com perfeição. Quando ninguém acreditava que o Vasco pudesse superar no quadrangular decisivo três forças do futebol, como Santos, Cruzeiro e Internacional, estava lá Zanata." (Lance – Série Grandes Clubes 2001)


VASCO/74 - Andrada, Miguel, Alcir, Fidélis, Moisés e Alfinete
Jorginho Carvoeiro, Zanata, Ademir, Roberto e Luiz Carlos.
 Das 28 partidas realizadas pelo Vasco na campanha do Brasileirão de 1974, Zanata participou de 26. Fez apenas dois gols, sendo um deles o do empate com o Internacional no Maracanã na fase decisiva.


(recorte da capa da Placar n.276 - jul/75)
Matéria na Placar n.276  (julho de 1975)
O Vasco era o Campeão Brasileiro (1974) e a Revista Placar faz uma matéria com Zanata sobre a queda de produção do time que foi eliminado na primeira fase da Taça Libertadores e ainda perdeu a Taça Guanabara e o segundo turno do Campeonato Carioca. Na época com 24 anos, Zanata já era um líder e gostava de falar o que pensava.
O meia admitia que a máscara estava prejudicando o Vasco... “o título de campeão brasileiro... mudou muita coisa”.  Já não havia a mesma união entre os jogadores.
Esta edição da revista relata um escândalo envolvendo os jogadores do Vasco naquele ano de 1975. A Portuguesa,  interessada na vitória do Vasco sobre o Olaria, teria entregue ao zagueiro Moisés uma quantia em dinheiro (30.000 cruzeiros) para ser dividida entre os jogadores em caso de vitória do Vasco. Zanata, de acordo com a Placar, foi o único que não aceitou. E declarou: “Sou pago, e bem, para defender o Vasco. Sou um funcionário do clube, com obrigações e direitos. Entre essas obrigações, está a dedicação total ao clube. Portanto, não tem o menor sentido alguém de outro clube vir me oferecer um prêmio para vencer uma partida. Afinal, se ninguém me oferecer dinheiro, não vou me esforçar para ganhar?” E sem querer comentar a atitude dos colegas, completou: “isso é problema de cada um”.




Participação no Golaço Histórico de Roberto Dinamite


"No dia 9 de maio de 1976 foi marcado um dos gols mais bonitos da história futebol brasileiro. Ele foi marcado por Roberto Dinamite, num jogo do Vasco contra o Botafogo, no Maracanã, no Campeonato Carioca de 1976. Na jogada, o ídolo vascaíno recebeu a bola da direita, matou-a no peito, aplicou um lençol no zagueiro Osmar e fuzilou o arqueiro Wendell. O gol, aos 45 minutos do segundo tempo, garantiu a vitória vascaína de virada por 2 a 1 naquele jogo. O lance ficou conhecido como "O gol do lençol em Osmar".
Faltavam duas rodadas para o fim da Taça Guanabara (primeiro turno do Carioca de 1976) e o Vasco, um ponto atrás do líder Flamengo, precisava vencer o Botafogo para manter as chances de ganhar o turno.
O primeiro tempo terminou com a vitória parcial do Alvinegro por 1 a 0, gol marcado por Ademir aos 43 minutos. Aos 18 minutos do segundo tempo, porém, Roberto recebeu a bola na esquerda e, quase sem ângulo, chutou. O goleiro Wendell defendeu, mas o próprio Dinamite pegou o rebote e chutou forte para empatar.

(Ilustrações da Revista Placar)
Mas a igualdade no placar não interessava ao Vasco, que continuou buscando a vitória. Até que, aos 45 minutos, Dinamite lançou Zanata na direita e correu para a área. Zanata cruzou na medida e Roberto, na altura da marca do pênalti, matou a bola no peito, deu um lençol curto no zagueiro Osmar e, sem deixar a bola cair no chão, fuzilou o goleiro Wendell, marcando o gol da vitória que manteve o Vasco na briga pelo primeiro turno.
Na última rodada, o Vasco venceu o Olaria por 3 a 0 em São Januário (gols de Luís Fumanchu, Dé e Dinamite) e, beneficiado por um empate sem gols do Flamengo com o Fluminense, terminou empatado com o Rubro-Negro, forçando um jogo-extra para decidir a Taça Guabanara. A finalíssima foi realizada no dia 13 de junho de 1976 e o Vasco venceu por 5 a 4 nos pênaltis, após um empate por 1 a 1 no tempo normal." (Fonte: NETVASCO)




(recorte da capa da Placar n.393)
 O avanço do carregador de Dinamite

(Placar n.393 – novembro de 1977)

Placar destacava a importância tática de Zanata para o Vasco:

"...no Vasco Campeão Brasileiro de 1974, Zanata resistia, ao lado do ídolo, artilheiro e prata-da-casa Roberto, às constantes mudanças e evoluções da equipe treinada por Mário Travaglini... no Vasco Campeão Carioca de 1977, Zanata marcava e lançava, despertava na torcida a confiança, tornando-se peça fundamental no Vasco"

Pela qualidade técnica e pelo bom desempenho tático, o camisa 8 de São Januário fazia o "Titio" Fantoni afirmar: Zanata cresceu em importância dentro do esquema ofensivo do Vasco.

Quando perguntado sobre o que representava para o Vasco da Gama, Zanata declarava:
“- Bom, em primeiro lugar, quero dizer que acho o Helinho e o Paulo Roberto grandes jogadores. A prova disso é que o Vasco ganhou os dois turnos do Campeonato Carioca e, apesar do revezamento que fizemos, o conhunto não teve seu rendimento diminuído. Não somos um time de apenas um jogador. Se demonstrei nervosismo nas vezes em que fui substituído antes de o jogo acabar, foi simplesmente porque gosto de jogar. Não é rebeldia contra o técnico. Saio irritado, é verdade, mas de cabeça fria. Sei que o técnico está certo e tem suas razões para fazer as mudanças que acha necessárias”
E ainda nesta matéria da Placar: “Zanata pode dizer que não mas, na verdade, o time sentiu sua ausência em muitos jogos. É como diz o capitão e guru do time, Zé Mário. Para ele, Zanata é um jogador que enxerga, com poucos, o andamento de uma partida. Uma qualidade que é fundamental na posição em que joga e que pode ser decisiva para o resultado de um jogo.”

Obs.: Pela qualidade do seu futebol, Zanata era sim fundamental ao time. Mas, na conquista do Campeonato Carioca de 1977, o meia atuou em apenas 15 dos 29 jogos disputados pelo Vasco. E, se observarmos as súmulas do campeonato (www.ibracrvg.hpg.com.br/1977.htm), veremos que em muitos jogos o Helinho entrava em seu lugar.


Zanata, entre Mazzaropi e Abel, recebendo a faixa de Bi Campeão da Taça Guanabara 76/77
(foto do acervo da família do atacante Ramón)


Clássica foto do Esquadrão de 1977


(foto de Sebastião Marinho - Placar n.151)





"...um homem singular, como craque e como gente, um exemplo raro de dignidade num mundo desfigurado. O mundo do futebol."
(Maurício Azêdo/Revista Placar - jan/1978)


Fontes:

- Revista Placar (números 151, 229, 276, 393, 405)
- Revista Lance - Série Grandes Clubes (Edição Especial 2001)
- NETVASCO
   (súmulas do Vasco na temporada de 1977)
- Site do Milton Neves

domingo, 8 de agosto de 2010

PINGA


José Lázaro Robles
Nascimento: 11/2/1924, São Paulo-SP
Falecimento: 8/5/1996, Campinas-SP
Período: 1953 a 1962
Títulos: Carioca (1956, 1958), Torneio Rio-São Paulo (1958)
Posição: Atacante












 "O futebol estava no sangue dos Robles. José Lázaro deu seus primeiros passos no campo do Juventus, na rua Javari. Seu irmão três anos mais velho, Arnaldo, já jogava no juvenil da Portuguesa de Desportos e tinha o apelido de Pinga Fogo. Quando promovido para a categoria principal, Arnaldo chamou seu irmão José Lázaro para ocupar seu lugar. José Lázaro jogou com tanta vontade e talento que se tornou o Pinga I. Arnaldo, o mais velho, passou a ser o Pinga II. Arnaldo, o Pinga II, acabou indo para o Juventus. Em 1944 o Juventus de Arnaldo enfrentou a Portuguesa de Pinga. Resultado: 2x0 para o Moleque Travesso. José Lázaro ficou louco de vergonha e raiva com a vitória do irmão. Naquela noite a família Robles jantou sem ele. Pinga esperou que todos tivessem dormido para voltar para casa.

(os irmãos Pinga - site Museu dos Esportes)
A rivalidade entre os dois acabou alguns anos depois. Arnaldo voltou para a Portuguesa e os irmãos participaram do ataque arrasador da Lusa que incluía Renato, Ninho e Simão. Entre 1944 e 1952 Pinga se tornaria o maior artilheiro da história do Canindé. Com a camisa rubro-verde, marcou 132 gols em campeonatos Paulistas, 18 no Rio-São Paulo, 16 em jogos internacionais e 24 nos amistosos. Total: 190 gols." (Fonte: Revista Placar)

Obs.: o site www.sitedalusa.com afirma que Pinga fez 202 gols pela Portuguesa





Pinga chega ao Vasco em 1953, na mais cara transação do futebol brasileiro até aquela data. E chega para fazer história! Foi fundamental na conquista dos títulos nos Campeonatos Cariocas de 1956 e 1958. Com a facilidade que tinha para fazer gols, tornou-se o quarto maior artilheiro da História do Vasco (foram 250 gols e Pinga fica atrás apenas de Roberto Dinamite, Romário e Ademir).








(Pinga, o atacante de arrancada fulminante e chute fatal)


 Resumo da carreira do artilheiro publicado no site da CBF:

“Pinga, paulista da Mooca, começou no Juventus – em que também encerrou a carreira – e foi depois para a Portuguesa de Desportos, em que teve sua fase de ascensão em meados dos anos 40 como um ponta-de-lança de que tinha no pé esquerdo um chute forte e indefensável que o transformaria em artilheiro.  Dessa forma, foi logo convocado para a seleção paulista, onde foi titular por muitos anos. Foi convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez em 1949, como reserva da equipe que conquistou o Campeonato Sul-Americano, mas cortado da Copa de 50.
O seu período de grande brilho viria em 1952. Foi campeão e artilheiro do Torneio Rio-São Paulo pela Portuguesa, campeão brasileiro pela seleção paulista e campeão pan-americano no Chile, naquele que foi o primeiro título do Brasil no exterior – marcou dois gols na competição.
Com o futebol valorizado, foi negociado da Portuguesa para o Vasco, na maior transação na época no futebol brasileiro – e retribuiu o investimento do clube com excelente participação na conquista do Torneio Octagonal Rivadavia Correia Meyer, disputado no Rio e em São Paulo. Pinga marcou dois gols na final em que o Vasco derrotou o São Paulo por 2 a 1 no Maracanã. Em 1954, ele disputou a Copa do Mundo da Suíça.
Em 1956, com Martim Francisco como treinador do Vasco, Pinga deixou de ser definitivamente ponta-de-lança para ser fixado na ponta esquerda, já aos 32 anos. O Vasco foi campeão naquele ano e realizou uma vitoriosa excursão à Europa, em 1957, quando conquistou a Taça Tereza Hererra e o Torneio de Paris.
Como ponta-esquerda, Pinga ainda conquistou pelo Vasco o Torneio Rio-São Paulo e o campeonato carioca daquele mesmo ano decidido em um Super-Supercampeonato contra Flamengo e Botafogo.” (Fonte: site CBF News)


(Pinga na Seleção)


Na Seleção Brasileira:

-Pinga marcou 10 gols em 19 jogos;
-Foi Campeão Pan-Americano em 1952 no Chile, primeiro título do Brasil no exterior, marcando inclusive um dos gols na final (3x0 sobre o Chile);
-Disputou a Copa de 1954 na Suíça e fez dois gols.







(Válter, Bellini e Pinga - foto publicada na Manchete Esportiva)
“Dirigido pelo excelente Martim Francisco o time do Vasco em 1956 surpreendeu o Brasil jogando pela primeira vez no 4-2-4, sistema que mais tarde seria adotado pela Seleção. À frente do goleiro Carlos Alberto erguia-se uma verdadeira muralha, formada por jogadores do naipe de Paulinho, Bellini, e do grande quarto-zagueiro Orlando, todos craques de seleção. O meio campo tinha o garoto Écio, um exemplo de abnegação, e o craque maior Válter Marciano, que encantaria a torcida francesa no Torneio de Paris. Na frente despontavam Sabará, um dos jogadores mais queridos pela torcida do Vasco em todos os tempos; Livinho, um meia que era habilidade pura; Vavá, centroavante de grande coragem, o “Peito-de-aço” da torcida vascaína; e finalmente o incomparável ponta-esquerda Pinga, ídolo da minha infância.” (Livro O Expresso da Vitória – Uma história do fabuloso Vascão “Machão” da Gama, escrito pelo médico Abraham B. Bohadana)


(Sabará, Pinga, Almir, Vavá e Rubens)



Em 1958 o Vasco, além de conquistar pela primeira vez o Torneio Rio-São Paulo, venceu de forma emocionante o Campeonato Carioca.
Vasco, Flamengo e Botafogo terminaram o campeonato empatados e houve a necessidade não de um, mas de dois triangulares, pois as três equipes ficaram com os mesmos pontos no primeiro triangular. O segundo triangular, realizado já em janeiro de 1959, foi chamado de "super-supercampeonato".  No final, deu Vasco. 





(Pinga e Almir comemorando no vestiário)

Na primeira partida do primeiro triangular para definir o campeão, o Vasco venceu o Flamengo por 2x0 com gols de Pinga e Almir (que estão na foto da capa da revista Manchete Esportiva de dezembro de 1958) e depois perdeu por 1x0 para o Botafogo. Como o Flamengo havia vencido o Botafogo por 2x1, ficaram todos empatados. Foi necessário o segundo triangular.
O Vasco venceu o Botafogo por 2x1, com dois gols de Pinga e o título veio na partida contra o Flamengo. O Vasco jogava pelo empate em um Maracanã lotado, com  mais de 150.000 torcedores. O jogo terminou 1x1. O gol do Vasco foi marcado por Roberto Pinto. Após 26 jogos, o Vasco teve 16 vitórias, cinco empates e cinco derrotas. Pinga foi o artilheiro do time e marcou 16 dos 56 gols do Vasco.



O VASCO SUPER-SUPERCAMPEÃO


(Pinga com seu filho Ziza)


Em 1978, a Revista Manchete Esportiva fez uma matéria com Pinga e seu filho Ziza (Encontro de Gerações). Ziza foi um ponta esquerda revelado no início dos anos 70 pelo Juventus. Depois, ele foi para o Guarani em 1975, e, posteriormente, jogou no Atlético Mineiro, no Botafogo e encerrou a carreira nos anos 80 jogando na Inter de Limeira. Na reportagem, o filho coruja declara (com justiça): "Digo com toda a sinceridade que em matéria de futebol meu ídolo é o Pinga, meu pai".
 
 
 
 
 
 
 
 
Algumas curiosidades sobre o Pinga:
- fez 250 gols com a camisa do Vasco e foi um dos maiores artilheiros da história do clube;
- seu ídolo no futebol era o craque Zizinho;
- das suas muitas conquistas, não guardou nada. Pinga distribuiu tudo (medalhas, faixas, camisas) com os amigos.
 
"Meu forte era a velocidade. Naquele tempo, o futebol era mais técnico que o de hoje, mais lento. Eu me destacava justamente por correr muito." (Pinga na Manchete Esportiva - abril/1978)
 
 
 
 
 
Fontes:

- Site da CBF ( CBF News )
- NETVASCO
- Revista Placar (nov/2009 - coluna MORTOSVIVOS)
- Site do Mauro Prais (www.netvasco.com.br/mauroprais)
- Site da Portuguesa de Desportos (www.sitedalusa.com)
- Site Museu dos Esportes (http://www.museudosesportes.com.br/)
- Livro "O Expresso da Vitória", do médico Abraham B. Bohadana
- Revista Manchete Esportiva (abril/1978)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

BARBOSA


Moacir Barbosa (Moacyr Barbosa)
Nascimento: 27/03/1921, Campinas (SP)
Falecimento: 07/04/2000, Santos (SP)
Jogos pelo Vasco: 417 (ou 494)
Período: 1945 a 1955 e 1958 a 1960
Títulos: Carioca (1945, 1947, 1949/50, 1952, 1958); Rio-São Paulo (1958) e Sul-Americano (1948)
Posição: Goleiro

Obs.:  Sobre o número de jogos de Barbosa pelo Vasco,  encontrei informações diferentes.  A Revista Placar Especial “As Maiores Torcidas do Brasil” (2006) informa que foram 417 jogos. Mas a publicação do LANCE “Série Grandes Clubes” (2005), diz que Barbosa defendeu o Vasco em 494 partidas.
 
 
 
 
  E o blog inicia! Fiquei pensando... ... com quem começar? Quem seria o primeiro? Eu deveria seguir uma ordem alfabética? Uma ordem cronológica? Resolvi seguir o que o meu coração vascaíno determinasse. E aí, não tive mais dúvida! Para iniciar a série “Os Gigantes da Colina”, escolhi o Barbosa. O número um! O melhor número 1! Nosso eterno goleiro encerrou a sua carreira nos gramados antes do meu nascimento. Portanto, não o vi atuar. Mas, mesmo assim, não tenho receio de dizer que Barbosa foi genial! Simplesmente o melhor!
 
A minha admiração por esse Gigante vai além do que já li sobre suas defesas, sobre suas qualidades como atleta do Vasco. Admiro Barbosa por tudo que ele representou! Admiro por suas qualidades como pessoa, narradas por vários jornalistas em crônicas e livros. Admiro por sua simplicidade, tão evidente no Bola da Vez na ESPN Brasil, onde (creio eu) o Barbosa deu sua última entrevista.



“Maior goleiro de seu tempo e um dos melhores de toda a história do futebol brasileiro, não se deixou abalar nem pela amarga lembrança da Copa do Mundo de 1950. Há quem ainda não o perdoe pelo gol do ponta direita Gighia – entre a trave esquerda e seu corpo -, mas o meia Zizinho o absolve: “Barbosa saiu certo. Sua preocupação foi interceptar um cruzamento para o meio da área, mas Gighia foi malandro e bateu onde ninguém esperava”.

Moacir Barbosa foi um goleiro seguro, elástico, dotado de excelente senso de colocação. Arrojado, jamais temeu mergulhar nos pés dos adversários. Jogou três anos no extinto Ypiranga, de São Paulo, e depois veio para o Vasco, no qual substituiu outro grande goleiro, Rodrigues, titular e campeão de 1945. No ano seguinte, Barbosa tomava-lhe a posição para só deixá-la em meados de 1956. Mas só encerrou a carreira em 1962 (uma das mais longas do futebol brasileiro), defendendo o Campo Grande... Foi um dos primeiros a jogar com camisa preta à noite, “para não dar ao atacante noção da minha posição”. “O cinza também era ótimo. Por isso, sou contra essas camisas espalhafatosas que os meninos usam atualmente”, critica. Barbosa participou de todas as campanhas vitoriosas a partir de 1947 e lembra com indescritível emoção a decisão do Sul-Americano de Clubes Campeões no Chile em 1948 numa final histórica contra o River Plate, da Argentina: .... Nesse dia peguei até um pênalti do Labruna no primeiro tempo. Eu o conhecia da Seleção Argentina e tinha quase certeza de que bateria rasteiro no canto esquerdo. Fui certinho e defendi.” Barbosa realizou defesas incríveis no segundo tempo e garantiu praticamente o 0x0 que deu o título ao Vasco.” (Revista Placar – Edição Especial “As Maiores Torcidas do Brasil” - Vasco)

(Foto: Acervo do Gov Estado de São Paulo)



A respeito de Barbosa, assim escreveu o cronista Armando Nogueira: "Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 1950, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera."


 
 
 
 
 
“Quando ouvi, pela primeira vez, alguém dizer que um grande time começa por um grande goleiro, o alvo era ele.” “... Barbosa foi o inventor da defesa com a mão trocada, hoje uma obrigação para todo goleiro... ... são raríssimos os goleiros que podem ser comparados a ele em matéria de classe e técnica. E como voava!” (coluna do jornalista Sérgio Cabral na Revista Oficial do Vasco, n.4)
  
(Barbosa entre Bellini e Paulinho de Almeida)


 
             "Considerado o melhor goleiro do Vasco em todos os tempos. Era seguro, elástico, dotado de excelente senso de colocação. Arrojado, jamais temeu mergulhar nos pés dos adversários. Também conseguia agarrar vários pênaltis. Foi sem dúvida o maior goleiro de seu tempo e um dos melhores de toda a história do futebol brasileiro." (Mauro Prais)

 
 
 
 
 
 
 
O jornalista Roberto Muylaert transformou cerca de 20 horas de conversações com Barbosa em um belo livro-homenagem. Nele encontramos algumas revelações curiosas (vocês sabiam que o Barbosa deu fim às traves do gol de Gighia fazendo uma fantástica fogueira em 1963 em sua casa, na Zona Norte do Rio de Janeiro?). A obra é um resgate de verdades e no capítulo em que o jornalista faz uma análise da Seleção de 1950 através de uma comparação com as vitoriosas Seleções de 1958, 1962 e 1970, encontramos o seguinte trecho: “Barbosa, o melhor e mais destacado goleiro do Brasil na época, considerado um dos raros craques do Brasil na posição, em todos os tempos. Foi eleito pelos jornalistas que cobriram a Copa de 1950 como melhor goleiro daquele campeonato, apesar dos dois gols polêmicos que sofreu na finalíssima. Um goleiro que defendeu com muito brilho a seleção brasileira, comparável em categoria e eficiência a Gilmar, campeão do mundo em 1958 e 1962, sendo que Barbosa era ainda mais elegante que o elegante Gilmar. Ambos eram bem superiores a Félix (1970).” (Livro: Barbosa, Um gol faz cinquenta anos – página 131)

(Gilmar e Barbosa)
  


“Até 1953, Barbosa foi o titular absoluto da posição de goleiro Vasco e da Seleção Brasileira. Porém, em maio daquele ano, sua coragem lhe custou caro: Num violento choque com o atacante do Botafogo, Zezinho, numa partida pelo Torneio Rio-São Paulo, sofreu uma séria fratura dupla da tíbia e perônio, para a consternação de todos os vascaínos. A recuperação foi demorada e a volta aos gramados difícil para o grande goleiro, que jamais voltou a ser lembrado para uma convocação para a Seleção." (Mauro Prais)

 

   
  


 


(Ademir, Barbosa e Eli)
“E Barbosa continua notícia, continua fato pelo seguinte: - porque é eterno. E quando Barbosa joga acontece apenas isto: - ele esfrega a sua eternidade na cara da gente. ... ...eu comecei a desconfiar da eternidade de Barbosa, quando ele sobreviveu a 50. Então, concluí de mim para mim: -"Esse cara não morre mais!".Não morreu e pelo contrário: -está cada vez mais vivo. Nove anos depois de 50, ele joga contra o Santos, no Pacaembu. Funcionou num time de reservas, contra um dos maiores, se não o maior time do Brasil. E foi trágico, amigos, foi trágico! Começa o jogo e imediatamente, Pelé invade, perfura e de três metros fuzila. Fosse outro e não Barbosa,estaria perguntando, até hoje: - "Por onde entrou a bola?". Barbosa defendeu e com soberbo descaro! Daí para a frente, a partida se limitou a um furioso duelo entre o solitário Barbosa e o desvairado ataque santista. Foi patético ou por outra: - foi sublime. E porque, na sua eternidade salubérrima, ainda fecha o gol, eu faço de Barbosa o meu personagem da semana.". (Este é um trecho da crônica do Nelson Rodrigues que foi publicada na revista Manchete Esportiva nº 184 de 30 de maio de 1959)
 

(Ademir, Barbosa e Zizinho numa propaganda do Guaraná Caçula - foto publicada no livro do Roberto Muylaert)
(Ademir e Barbosa)



Barbosa teve uma vida modesta, foi atleta numa época romântica no futebol brasileiro e, desse modo, não acumulou riqueza ao longo dos anos em que foi goleiro.







(SPORTV - confira o vídeo abaixo)
 
Encerrou a carreira aos 42 anos, defendendo o Campo Grande, e depois se tornou funcionário da Suderj, no Maracanã.

Certa vez li num blog que, nos últimos anos de vida, ele se mantinha com uma “pensão” de R$2.000,00 concedida pelo Vasco, através do Eurico Miranda.





 

Gosto da foto ao lado! Foi publicada pela Revista Placar em 1978 numa matéria sobre os craques do passado de Vasco e Flamengo. Nela o velho Barbosa, aos 57 anos, parece se divertir como uma criança!



Vou concluir dizendo: Nelson Rodrigues tinha razão!
O goleiro do Expresso da Vitória, o primeiro goleiro negro da Seleção Brasileira, o Gigante Barbosa, é eterno!












Fontes:

- Revista Placar (Edição Especial “As maiores torcidas do Brasil”) – VASCO
- Mauro Prais (NETVASCO/MauroPrais). Ídolos do Vasco
- Série L! Grandes Clubes (2005), publicação do LANCE
- Revista Oficial do Vasco
- "Barbosa, um gol faz cinquenta anos" de Roberto Muylaert (RMC Editora)