terça-feira, 21 de setembro de 2010

ORLANDO PEÇANHA


Orlando Peçanha de Carvalho
Nascimento: 20/9/1935, Niterói-RJ
Falecimento: 10/2/2010, Rio de Janeiro-RJ
Períodos: 1955 a 1960 e 1969 a 1970
Posição: Zagueiro
Títulos: Carioca (1956 e 1958), Rio-São Paulo (1958)




        " O SENHOR DO FUTEBOL"






"Para o grande craque Didi, Orlando foi o melhor jogador brasileiro na Copa do Mundo da Suécia. Portanto, não exagero ao manifestar a opinião de que foi ele o melhor quarto-zagueiro da história do futebol brasileiro"  (Sérgio Cabral, o jornalista, na sua coluna do jornal Lance - 14/02/2010)


Ontem, 20 de setembro, foi aniversário de nascimento do Orlando Peçanha. Ele estaria completando 75 anos. Por isso, preparei esse post em sua homenagem. Portanto, meus amigos, o Gigante da Colina desta semana é "O Senhor do Futebol".


O INÍCIO NO VASCO
O jovem Orlando surgindo no Vasco
(Fascículo da revista Realidade - 1969)
"– Olha, desculpe, mas o Edmur não me disse nada e eu não posso deixar você treinar. Você pode se machucar, quebrar uma perna e ninguém é responsável por você.

Carlos Volante, treinador dos juvenis do Vasco não acreditou no porte daquele rapaz franzino, que com dezesseis anos já havia sido campeão, jogando no Fonseca ao lado de Edmur, jogador do Vasco. No entanto, Volante não era o primeiro a impedir Orlando de jogar futebol. Desde cedo, Orlando Peçanha quebrava unhas e esfolava os pés nas ruas barrentas de Lins de Vasconcelos, subúrbio do Rio de Janeiro.

Mas a participação nas peladas era sempre rápida porque logo depois seu pai entrava em cena e ele tinha de sair correndo com o caixote de entregas do armazém da família...

...Mas foi por causa das peladas que Orlando conseguiu treinar em São Januário. Um amigo dos tempos de Lins de Vasconcelos, que havia sido criado com Vavá, no Recife, resolveu ajudar Orlando. Vavá falou com Volante e o rapaz franzino acabou vestindo a camisa número 6...

Quando acabou o treino, Volante mandou Orlando voltar. Na segunda vez, outro convite. Foi ficando e treinando ao lado de Vavá, Almir, Arapuã, que era irmão de Ipojucã. Corria o ano de 1952. Carlos Volante ajudando Orlando. Com Volante, ele aprendeu a cabecear. Antes despachava a bola para longe, sem saber onde ela ia cair. Em pouco tempo, a cabeçada virou passe. Orlando ia formando suas características de beque discreto e eficiente.

... Orlando fazia o serviço militar e morava no Vasco, para economizar tempo e dinheiro. Lembrava as dificuldades financeiras da família e deixava seu dinheiro com o irmão mais velho. Só ficava com o suficiente para a passagem, cinema e roupa... O Vasco foi campeão de juvenis em 1954 e Orlando subia rapidamente. Ainda era juvenil quando apareceu a primeira oportunidade no primeiro time.

Na capa da Revista do Esporte n.34
Orlando havia viajado com o Vasco para a Europa. O time jogava contra o Barcelona e perdia por 1 a 0. Orlando entrou de meia-armador para substituir um companheiro. O jogo acabou com o mesmo resultado. Dois dias depois, em Coimbra, Portugal, o Vasco jogava com o Acadêmico local. Flávio Costa era o técnico e resolveu mudar a defesa do time. Jofre, Adésio e Dario saíram. Orlando começou o jogo com a camisa 6, atuando ao lado de Coronel e Eli. O Vasco ganhou – 5x0 – e Orlando ficou com a posição: agora era titular.

Em 1955, Orlando assinou seu primeiro contrato como profissional... Não havia ainda o problema de luvas. Orlando achava que o Vasco lhe havia dado a oportunidade de aparecer e gasto muito dinheiro em assistência médica. Além do mais, ele morava e comia no clube. Achava que não exigir nada era uma forma de recompensar o Vasco. Ainda em 1955, Orlando comprou uma série se imóveis. Estava com dezenove anos e sempre preocupado com o futuro.  ... No futebol, Orlando continuava a brilhar na defesa do Vasco. O time melhorava dia a dia. Em 1956 levanta o campeonato da cidade." (Fascículo da Revista Realidade/1969 dedicado ao quarto-zagueiro Orlando, escolhido pela revista para a sua Seleção Brasileira de Todos os Tempos)


Em 1958 o Vasco conquistava o Torneio Rio São-Paulo e o Campeonato Carioca. Orlando, formando dupla de zaga com Bellini, se destacava na equipe cruzmaltina!


Vasco 1958 - Miguel, Paulinho, Bellini, Écio, Orlando e Coronel;
Agachados Sabará, Almir, Roberto Pinto, Valdemar e Pinga.




ORLANDO NA SELEÇÃO BRASILEIRA


"A seleção brasileira de 1958 ficou marcada pela presença de alguns dos melhores jogadores de todos os tempos. Além de reunir Pelé e Garrincha, a equipe contava com os talentos de Didi, Nilton Santos e Djalma Santos, que figuram frequente-mente na lista dos maiores da história do futebol.




Mas o time que deu ao Brasil o seu primeiro título contava também com um zagueiro que, se não possuía a fama de outros companheiros de equipe, era respeitado por sua categoria e eficiência.

Orlando Peçanha teve uma trajetória particular na seleção brasileira. Disputou sua primeira partida pelo selecionado em 18 de maio de 58, apenas 20 dias antes da estreia do país na Copa disputada na Suécia. O escasso tempo foi suficiente para convencer o treinador Vicente Feola a escalá-lo como titular no Mundial

Nos seis jogos da campanha vitoriosa, que foi marcada por muitas mudanças no time titular, Orlando atuou em todos os seis jogos. Ao lado do amigo Bellini, seu parceiro de zaga também no Vasco. Formavam uma dupla considerada ideal por muitos treinadores. Bellini era mais conhecido pelo vigor físico, que parava os atacantes quando necessário. O chamado ‘limpador de área’. Orlando era seu contraponto. Um beque clássico, com categoria suficiente para desarmar os atacantes adversários sem apelar para faltas. Mas que sempre mostrava garra.

Orlando seguiu absoluto na seleção até 1960, quando foi negociado com o Boca Juniors. Na Argentina, virou ídolo do clube de maior torcida do país. Mas ao se transferir para o exterior, acabou perdendo a chance de ser bicampeão mundial em 62. Na época, quem atuava fora do Brasil sabia que estaria fora da lista de convocados. No Chile, Zózimo, seu reserva em 58, ocupou a vaga em aberto e foi campeão.

Em 65, voltou ao Brasil, para defender o esquadrão do Santos. Na Vila Belmiro, reencontrou companheiros do Mundial da Suécia: Gilmar, Zito, Pepe…e Pelé. Foi campeão paulista duas vezes (65 e 67) e Taça Brasil de 65. E aos 31 anos, foi convocado para a Copa de 66. Chegou à Inglaterra como reserva, mas foi capitão na última partida do Brasil no Mundial. A derrota por 3 a 1 para Portugal foi sua única nas 34 vezes em que atuou com o camisa do Brasil.

Um tropeço que não abalou uma trajetória extremamente vitoriosa tanto na seleção quanto nos clubes em que defendeu (Vasco, Santos e Boca). Em todos, foi campeão. Uma carreira que ganhou a justa homenagem com a inclusão do nome de Orlando Peçanha na calçada da fama do Maracanã."
(Blog Memória E. C. - Marcelo Monteiro)


Bellini, Vavá e Orlando
o trio vascaíno Campeão do Mundo em 1958

“Naquela época, nenhum jogador via na Seleção uma chance de enriquecer. Ninguém trocava o título por dinheiro. Nós nos sacrificávamos ao máximo, pensando só em ganhar a Copa. Sabíamos que estávamos preparados para entrar em campo e jogar um futebol até melhor do que aquele que tínhamos jogado contra a Áustria, Inglaterra, União Soviética, País de Gales, França, e nas partidas eliminatórias. Assim, na decisão contra a Suécia, entramos para vencer...
No jogo da decisão (Brasil 5x2 Suécia), todos nós estávamos tranquilos. Ninguém tremeu. O Brasil jogava como um verdadeiro campeão, sereno, calmo, destruindo as jogadas adversárias e construindo as suas rapidamente. Foi essa tranquilidade que nos deu o título... Tomamos o primeiro gol, mas Didi pegou a bola no fundo das redes de Gilmar e falou: “Vamos pôr esses gringos na roda.” E pusemos mesmo, passeando em campo." (matéria com Orlando Peçanha publicada na revista Manchete Esportiva, n.35, junho/1978)







            Histórico na Seleção

Copas do Mundo: 1958 e 1966.
7 jogos (5v, 1e, 1d)

Jogos na Seleção: 34 partidas

Títulos:
Copa do Mundo (1958);
Taça Bernardo O'Higgins (1959);
Taça Atlântico (1960).







NA ARGENTINA
Em 1961, uma boa proposta o levou para o Boca Juniors, da Argentina. Orlando não teve receio de ir. Chegou, mostrou o futebol que sabia jogando ao lado de brasileiros ilustres, como Dino Sani e Almir. Virou ídolo em La Bombonera. Seu apelido na imprensa de Buenos Aires era "el Señor del fútbol".

"No Boca eu era um jogador polivalente. Desses que joga em várias posições. Joguei na lateral direita, na esquerda, de central e até de volante. Algum tempo depois me elegeram o capitão do time. Aquilo para mim foi uma surpresa. Não acreditava que um jogador estrangeiro conseguisse chegar a ser capitão de um time fora de seu país. Assim, fomos três vezes campeões da Argentina, depois de um longo tempo sem títulos." (Orlando - Revista Manchete Esportiva, n.35, junho/1978)

Capitão e campeão no Boca Juniors
“Llegó a Boca Juniors, desde Vasco da Gama, en 1961 por expreso pedido de su compatriota Vicente Feola, entrenador que ya lo había dirigido tres años atrás, cuando Brasil alcanzó la cima a nivel mundial.

Rápidamente se convirtió en ídolo de la hinchada, al demostrar su compromiso y sacrificio constante. Supo ser capitán del equipo, con el que disputó 119 partidos oficiales “ (www.planetabocajuniors.com.ar)

Na Argentina, conquistou os títulos nacionais de 1962, 1964 e 1965 (neste último, jogou apenas três partidas e foi vendido para o Santos)








O retorno ao clube do coração!



"Em 1969 voltou para o Vasco para encerrar sua carreira como jogador e iniciar uma outra: a de auxiliar técnico. E, concidentemente, desde 58, quando Orlando ainda jogava, o Vasco não havia sido campeão carioca. Mas, com uma grande equipe, formada pelo Almirante Heleno Nunes, da qual constavam Raul Carlesso, Camerino e Orlando, além do técnico Tim, o Vasco, em 70 voltava a ser campeão." (Revista Manchete Esportiva, n.35, junho/1978)








"GALERIA ORLANDO PEÇANHA"

Parodi, Barbosa e Orkando
(Foto: Fascículo da Revista Realidade/1969)





 Com o atacante paraguaio Parodi e o eterno Barbosa, numa excursão do Vasco.

















 
O Senhor Orlando Peçanha com a Taça do Torneio Internacional de Paris, conquistada em 1957 com a vitória sobre o Real Madrid de Di Stéfano, Kopa e Gento.
O Vasco de Orlando, Sabará, Válter Marciano, Vavá e Pinga venceu por 4 a 3.







Brasil Campeão do Mundo (1958)
Djalma Santos, Zito, Bellini, Nílton Santos, Orlando e Gilmar;
Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo.


Orlando em 1978 exibindo sua coleção de faixas.
O zagueiro foi campeão com todas as camisas que vestiu em sua brilhante carreira!
(Foto: revista Manchete Esportiva, junho de 1978)


Fontes

- Revista Manchete Esportiva, n.35, junho de 1978;
- Fascículo da Revista Realidade (1969) "A Seleção Brasileira de Todos os Tempos";
- Blog Memória E. C. - por Marcelo Monteiro;
- Site do Mauro Prais (www.netvasco.com.br/mauroprais);
- Site Planeta Boca Juniors (http://www.planetabocajuniors.com.ar/).
















segunda-feira, 13 de setembro de 2010

MANECA


Manoel Marinho Alves
Nascimento: 28/1/1926, Porto da Barra-BA
Falecimento: 11/7/1961
Período: 1947 a 1953 e 1955
Posição: Meia/Atacante
Títulos: Carioca (1947, 1949/50, 1952) Sul-Americano (1948)











"Maneca era um craque que chegou a São Januário em 1946 e logo ganhou status de ídolo. Era meio-campo, mas atuava também como ponta-direita e centroavante. Tinha uma habilidade fora do comum, dribles curtos e uma ótima visão para lançamentos. Quem o viu jogar garante que foi um dos jogadores mais habilidosos da história do futebol brasileiro. Mas a torcida o amava por outro motivo: era especialista em marcar contra o Flamengo." (Placar “Quem é quem” - 581 Craques do Brasil)

Ademir, Barbosa, Ely, Augusto,  o técnico Flávio Costa e Maneca
(Foto publicada na Placar, "As Maiores Torcidas do Brasil" - Vasco, 1979)

Djalma e Maneca
(Foto: Esporte Ilustrado)
"O baiano Manuel Marinho, nascido em Porto da Barra, perto de Salvador, revelou-se nos juvenis do Galícia. Como só sabia jogar descalço ou de tênis, arrumaram uma chuteira de lona para ele. Logo chegou a titular dos profissionais. Um olheiro do Vasco o descobriu em fins de 1946. No ano seguinte era campeão carioca e invicto. Daí em diante, participou de todas as alegrias do Expresso da Vitória com seus dribles curtos e desconcertantes, além de passes e lançamentos certeiros.

Na Copa do Mundo de 1950, estreou contra o México pela ponta-direita no lugar de Tesourinha, que operara os meniscos, e entrou em sua verdadeira posição contra a Suíça. Nos jogos seguintes, contra a Iugoslávia e Suécia, Flávio Costa resolveu colocá-lo de novo na ponta. Um estiramento o afastou dos jogos contra a Espanha e o Uruguai. O que ele ficou abalado com a perda da Copa só a irmã dele, Bernardina, viu. Totalmente angustiado, chegava a ter desmaios.

Inteiro em 1951, chegou o dia da forra: um jogo contra o Peñarol, base da Seleção Uruguaia de 1950, em Montevidéu. Ainda no vestiário do Estádio Centenário, a promessa de Maneca: se na primeira bola desse um drible em Obdulio Varella, ninguém iria segurá-lo. E no primeiro lance em que se viu frente a frente com El Gran Capitán, com El Negro Varela, Maneca parou diante de Obdulio e balançou o corpo, fingindo que ia sair pela direita e cortou para a esquerda. O danado do Obdulio se recuperou, girou tentando parar Maneca, que não resistiu à tentação e tocou a bola entre as fortes pernas do uruguaio, tido como o herói da Copa de 1950. Daí para frente ninguém segurou Maneca. O baiano foi grande, naquele Peñarol x Vasco de 1951. Foi o maior jogador do mundo por 90 minutos. Sua atuação chegou a tal altura que a torcida do Peñarol aceitou com resignação o 3 a 0. E, no dia seguinte, jornais brasileiros e uruguaios só falavam no seu nome.

Após o título carioca de 1952, Maneca voltou para Salvador, tornando-se campeão pelo Bahia em 1954. Apertou a saudade, e ei-lo de volta a São Januário, dividindo o tempo entre a bola e a venda de automóveis. Mas não era o mesmo. Tentou de novo o Bahia, em 1957, depois o Bangu (rescindiu o contrato por causa de uma antiga contusão no joelho) e voltou de novo a Salvador, acolhido pelo Galícia, o clube que o revelou. Contudo, já era um homem com fortes crises de depressão. Acabou tomando uma dose violenta de veneno e morreu no dia 11 de julho de 1961." (Placar, "As Maiores Torcidas do Brasil" / Vasco - compilação dos textos publicados nas edições de 1979 e 1982)




 A primeira conquista de Maneca com a camisa cruzmaltina:
Campeão Carioca Invicto de 1947

Os campeões de 1947 recebem a faixa!
Em pé: Sampaio, Mário, Nestor, Ismael, Ely, Danilo, Jorge, Moacir, Barbosa, Flavio Costa, Rafagnelli e Augusto Agachados: Mário Américo, Friaça, Maneca, Dimas, Lelé, Chico e Djalma
(Foto: Blog "SÓ VASCO DA GAMA")


O TÍTULO MAIOR: Campeão Sul-Americano (1948)

Djalma, Maneca, Friaça, Ademir e Chico
ataque vascaíno que enfrentou o Nacional.
(Foto: Esporte Ilustrado)



Maneca participou dos seis jogos na conquista de 1948 no Chile.

Fez um gol na vitória sobre o Nacional do Uruguai (Vasco 4x1) pela segunda rodada no Sul-Americano.









A FANTÁSTICA VIRADA: VASCO 5X2 FLAMENGO (1949)
- 2 gols de Maneca

No dia 21 de agosto de 1949, aniversário do Vasco, São Januário recebeu o Flamengo de Zizinho e Jair (que foi ídolo da torcida vascaína) para um jogo memorável! A partida era pelo primeiro turno do Campeonato Carioca e uma goleada do Vasco da Gama abriu uma grande crise no Flamengo.

Mesmo desfalcado do seu centroavante Heleno de Freitas, o Vasco jogou seu grande futebol e superou seu adversário tecnicamente mais fraco. A crise foi porque alguns dirigentes achavam que teriam possibilidades de derrotar o Vasco em São Januário. E como estavam confiantes, os 5x2 foi demais.


Nestor, Maneca, Ademir, Ipojucan e Mário.
Linha de ataque no jogo Vasco 5x2 Flamengo (21/08/1949)
Foto publicada no Livro do Centenário

“Uma virada de jogo inesquecível: o Vasco perdia – desculpe-nos, perdíamos de 2 a 0 – contra o Flamengo. O noticiário de véspera anunciava que o Flamengo iria armar um esquema capaz de anular o Ademir, que era o grande goleador do time. E o estratagema estava dando resultado, pois o time do Vasco não se encontrava em campo. Foi aí que Flávio Costa fez uma coisa maravilhosa: recuou Ademir, colocando-o para armar as jogadas, e adiantou Maneca, como centroavante, no meio dos beques do Flamengo. Ganhamos de 5 a 2 e Ademir fez a sua mais brilhante exibição.” (Sérgio Cabral – Placar, “As maiores torcidas do Brasil” / Vasco, 1979)

Ademir brilhou e Maneca fez dois gols fundamentais: o gol do empate (aos 27 minutos do primeiro tempo) e o gol da virada (aos 8 minutos do segundo tempo). Os outros gols foram de Danilo, Nestor e Ipojucan.


Obs.: Com uma linha de ataque espetacular (Nestor, Ademir, Heleno de Freitas, Maneca, Chico, Ipojucan, Mário), o Vasco marcou 84 gols em 20 jogos no Campeonato Carioca de 1949. E, com duas rodadas de antecedência, foi Campeão Invicto (mais uma vez!) ao vencer o Madureira por 3x1.



O PRIMEIRO CAMPEONATO DO MARACANÃ


Alfredo II, Maneca, Ademir, Ipojucan e Dejair
Linha de Ataque de 1950
"Assim que foi encerrada a Copa de 1950, teve início o primeiro campeonato carioca da era do Maracanã. O Vasco perdeu seus três primeiros clássicos, mas recuperou-se e não sofreu mais nem um empate sequer. A equipe chegou à última rodada com um ponto de vantagem sobre o América e o derrotou por 2 a 1, com dois gols de Ademir, sagrando-se bicampeão carioca." (Mauro Prais) 


MANECA


Maneca nos títulos cariocas:

1947
18 partidas; 14 gols

1949
18 partidas; 14 gols

1950
19 partidas; 13 gols

1952
14 partidas; 7 gols









Fontes:
- Revista Placar (Edição Especial "As Maiores Torcidas do Brasil", Vasco - edições de 1979 e 1982)
- Blog SÓ VASCO DA GAMA (http://sovascodagama.blogspot.com/)
- Site do Mauro Prais (www.netvasco.com.br/mauroprais)
- Livro "UM EXPRESSO CHAMADO VITÓRIA", Alexandre Mesquita e Jefferson Almeida
- Revista Placar "Quem é quem", 581 Craques do Brasil
- Livro Oficial do Centenário

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

MAURO GALVÃO


Mauro Geraldo Galvão
Nascimento: 19/12/1961, Porto Alegre, RS
Período: 1997 a 2000
Posição: Zagueiro
Títulos: Carioca (1998), Brasileiro (1997 e 2000), Libertadores da América (1998), Rio-São Paulo (1999), Copa Mercosul (2000).





Após encerrar a carreira como jogador, voltou ao Vasco para dirigir divisões de base e chegou a dirigir a equipe profissional no Campeonato Brasileiro de 2003.


Mauro CAPITÃO Galvão

"Em todas as circunstâncias de tempo e espaço, durante duas décadas impecáveis, o nome Mauro Galvão virou griffe ao manter as qualidades de sempre: confiança, seriedade, caráter, disciplina, alta técnica e liderança incontestável. Poucos jogadores mostraram tanto profissionalismo ao lado de uma regularidade que não permitia folga aos adversários ou dúvidas aos jornalistas e torcedores: ali estava um grande craque! O digno herdeiro de Domingos da Guia e Bellini é Mauro Galvão, o exemplo perfeito para os sucessores do novo milênio" (Márcio Guedes - Cronista Esportivo)

Mauro Galvão chegou ao Vasco em 1997, com 35 anos. Para muitos, essa seria uma idade para pensar em encerrar a carreira... mas para o nosso Capitão, não! Ele chegou para fazer história! Um atleta exemplar, um dos maiores zagueiros do futebol brasileiro, chegou a São Januário e foi logo conquistando o Brasileiro de 1997. Em 1998, ano do centenário do Vasco, marcou o gol da vitória por 1x0 sobre o Bangu que garantiu o título do Estadual. Em seguida veio a conquista da Taça Libertadores (1998). Mauro Galvão era o Capitão do time que dominava a América do Sul! Em pouco tempo de clube, o zagueiro já havia conquistado um lugar definitivo no coração da torcida vascaína! Mas ainda viria mais...


O Início

"Apesar de ter nascido Colorado, foi o Grêmio o seu primeiro clube, quando tinha 12 anos. Fez teste para lateral direito do Mirim (até 14 anos) e passou. Logo subiu para o Infantil (na época, até 16 anos). Aos 15 anos, atuando como zagueiro central, foi requisitado por Jaime Schmidt, técnico do Juvenil, para uma partida. Saiu-se bem, ganhou elogios, mas, sem explicações, o técnico o devolveu ao Infantil. Ninguém entendeu.
A história chegou aos ouvidos de Abílio dos Reis – o maior descobridor de talentos do rival Internacional. Convidado a treinar no Beira-Rio, Mauro Galvão ficou no time Juvenil. Os dirigentes do Grêmio entraram com um protesto na Federação e o jovem talento ficou seis meses sem jogar, cumprindo estágio de transferência para amadores. Enfim regularizado, levou apenas um ano para subir ao time Profissional como quarto zagueiro." (Revista Oficial do Vasco - março de 2000)

Mauro Galvão em 1979 (foto da Placar)



"Um garoto recém-saído das categorias de base jogando com a naturalidade de um veterano. Essa foi uma impressão recorrente assim que Mauro Galvão despontou no time do Internacional em 1979, prestes a completar 18 anos. Foi o titular na equipe que venceu o Brasileiro. Preciso nos desarmes e com grande senso de antecipação das jogadas, o zagueiro foi um dos destaques da campanha invicta. Depois, enfileirou uma sequência de títulos estaduais." (Revista Placar Especial - Centenário do Internacional, publicada em 2009)






"O craque e capitão do time do Internacional naquela época, Paulo Roberto Falcão, surpreendera-se com o estilo elegante e de grande técnica de Galvão. Nos treinos, maravilhava-se com os passes precisos do jovem zagueiro que, embora franzino, tocava-lhe uma bola redondinha, como se dispusesse de uma fita métrica para calcular a distância a ser percorrida. Essa precisão levou Falcão a defender, mediante o técnico Ênio Andrade, a efetivação de Mauro Galvão como titular da equipe." (Livro "Mauro Capitão Galvão - Lições de Vida, Lições de Futebol", Hélio Ricardo)

E, por ser extremamente técnico para um zagueiro, certa vez foi repreendido por Falcão ao demorar para fazer o gol numa brincadeira de dois toques. Falcão falou: "Dá de bico!". E o jovem zagueiro, de brincadeira, perguntou: "mas onde é o bico?"

O jovem M. Galvão marca Dinamite na final do Brasileirão de 1979

A revista Placar número 493 (out/1979) publicou uma matéria com a manchete “O Incrível Mauro Hulk”, numa associação entre o beque do Inter, que mudou da noite para o dia, e o herói da série de sucesso na TV. O jogador franzino se transformava num gigante na defesa! O jovem quarto-zagueiro era apontado como a maior revelação gaúcha da temporada e conquistava, além do Campeonato Brasileiro de 1979, a sua primeira Bola de Prata, prêmio concedido pela mesma revista aos melhores jogadores do campeonato.

Mauro Galvão já era uma realidade! No início dos anos 80, foi tetra campeão gaúcho (no período 81-84), tornou-se um dos principais jogadores do elenco do Inter e, por sua polivalência, atuava com desenvoltura em posições diferentes (zagueiro, lateral, volante, meia armador).


Rio de Janeiro - Europa - Porto Alegre

Em 1986, é contratado pelo Bangu por indicação do treinador Paulo César Carpegiani que o colocou como volante da equipe de Moça Bonita. Em 1988, chegou ao Botafogo, com Paulinho Criciúma e Marinho, seus companheiros do Bangu. Pelo clube alvinegro, conquistou o Campeonato Carioca de 1989 encerrando um jejum de 21 anos sem qualquer título. Em 1990 conquista o Bicampeonato Carioca e depois segue para Suíça onde foi defender o Lugano. Depois de seis anos na Europa, Mauro Galvão retornou ao futebol brasileiro vestindo a camisa do Grêmio. Pelo tricolor gaúcho foi Campeão Brasileiro em 1996 e Campeão da Copa do Brasil em 1997. Ainda em 97, M. Galvão seguiu para São Januário.


"ÃO! ÃO! ÃO! MAURO GALVÃO É SELEÇÃO!"

                                                                        Vestindo  a  AMARELINHA

(Foto da Placar - janeiro/1980)
"Desde seus primeiros passos no futebol, Mauro foi inúmeras vezes convocado para defender a amarelinha: no ano de 1980, em virtude de suas belas atuações, Mauro foi relacionado pelo técnico Nelsinho para integrar a Seleção de Novos que disputaria o Pré-Olímpico na Colômbia, onde foi um dos destaques; em 81 o treinador Vavá, responsável pela seleção de juniores que disputaria o Mundial da Austrália, em Melbourne, convocou Mauro para integrar a equipe titular. O técnico Telê Santana, treinador da Seleção Brasileira que encantou o mundo com um futebol mágico na Copa de 1982, incluíra Mauro Galvão numa lista de 40, mas abdicou de seu futebol na hora de fechar o grupo selecionado.

Em 1984 o técnico Jair Picerni convocou o zagueiro para integrar a equipe que disputaria as Olimpíadas de Los Angeles. O time tinha como base o Internacional de Porto Alegre e conquistou a medalha de prata."
(Livro "Mauro Capitão Galvão - Lições de Vida, Lições de Futebol")


Convocado p/ Copa do Mundo de 1986





Em 1986 (Copa do Mundo realizada no México), Telê Santana o convocou para o lugar de Mozer que sofreu séria contusão e foi cortado do elenco.

Em 1989, sob o comando de Sebastião Lazaroni, era titular da Seleção Brasileira que conquistou a Copa América com a vitória por 1x0 (gol de Romário) sobre o Uruguai.







Brasil  Campeão da Copa América (1989)
Mazinho, Taffarel, Mauro Galvão, Ricardo Gomes, Aldair e Branco;
Bebeto, Romário, Silas, Dunga e Valdo.


Figurinha do Álbum da Panini
(Copa da Itália 1990)



Veio a Copa de 1990,  realizada na Itália, e Mauro foi convocado por Lazaroni para ser o líbero da Seleção.


O Brasil enfrentou a Argentina nas oitavas-de-final e perdeu por 1x0 (gol de Caniggia, após bela jogada de Maradona), voltando mais cedo para casa. 












Finalmente, Mauro Capitão Galvão chega a São Januário!


Foto da Revista Placar

“O ano de 1997 foi um divisor de águas na história do Club de Regatas Vasco da Gama. Motivado pela proximidade do ano de seu 1º Centenário, O Machão da Colina – como é chamado carinhosamente pelos torcedores – começou a temporada para o campeonato brasileiro montando um grande time, visando à conquista do título, a fim de disputar, no ano seguinte, a Taça Libertadores da América. O presidente Antonio Soares Calçada e o vice-presidente Eurico Miranda não pouparam esforços para a empreitada...
A chegada do técnico Antônio Lopes foi fator fundamental para a sequência de contratações efetuadas. O ataque teve a presença e a experiência do centroavante Evair. Além dele, o regresso da grande estrela do time: o polêmico e genial Edmundo. No meio-campo vieram a irreverência de Válber e a habilidade de Ramón. Todos jogadores com nível de Seleção Brasileira. Faltava, entretanto, um jogador que trouxesse talento e experiência na defesa, para que o time pudesse mesclar o toque de experiência ao frescor da juventude de jogadores como Felipe e Pedrinho, então ascendentes no elenco cruzmaltino.
Mauro estava despertando, em sua casa em Porto Alegre, quando um empresário ligou pedindo-lhe que fizesse uma proposta ao Vasco. O zagueiro estava a um mês do encerramento de seu compromisso com o Grêmio. Ainda sonolento, lançou uma oferta sem a menor pretensão de que pudesse ser aceita. Horas mais tarde, o empresário ligava dizendo que a proposta fora aceita pelo Eurico Miranda. ... Com a aquisição de Mauro Galvão, estava concluída a espinha dorsal do supertime que o Vasco pretendia montar.”
(Livro "Mauro Capitão Galvão - Lições de Vida, Lições de Futebol")

Carlos Germano, Mauro Galvão, Felipe, Luisinho, Juninho, Pedrinho, Ramón, Edmundo, Evair... desse jeito só dava mesmo para ser campeão! E, no meio de tantos craques, dois jogadores que vieram de clubes menores se firmaram entre os titulares: o volante Nasa ("o cão de guarda") e o zagueiro-zagueiro Odvan, o parceiro ideal do M. Galvão. Odvan foi contratado ao Americano de Campos/RJ, efetivou-se como titular no time Campeão Brasileiro e adquiriu experiência jogando ao lado de Mauro Galvão.


Mauro Galvão e Odvan
"Joguei com o Odvan entre 1997 e 2000. Formamos uma boa dupla de zaga. Mas não é uma regra dizer que um zagueiro técnico vai dar certo ao lado de um zagueiro viril. Isso é muito relativo. E não demos certo de imediato. Joguei ao lado do Alex também. Mas, depois, me firmei ao lado do Odvan. Ajudava também o fato de o Vasco ter um grande time. Mas existiu uma combinação entre nós." (Mauro Galvão - NETVASCO, 03/04/2004) 



Com 21 vitórias, sete empates e cinco derrotas, ninguém foi melhor que o Vasco do técnico Antônio Lopes no Brasileirão de 1997. Dos 69 gols marcados pelo time, 29 levaram rubrica de Edmundo, o artilheiro do campeonato (ah, Mauro Galvão fez 3 gols).

TRI CAMPEÃO BRASILEIRO (1997)
Sorato, Alex, Nélson, Nasa, C. Germano, M. Galvão, Válber, Odvan, Evair Márcio
Pedrinho, Mauricinho, Maricá, Edmundo, Ramón, Juninho, Felipe e Luisinho



Mauro Galvão recebendo de seu filho a faixa de Campeão Brasileiro de 1997.
(foto publicada na Revista Lance Grandes Clubes - Vasco, 2005)

1998 - O ANO DO CENTENÁRIO

“Numa empolgante sequência de vitórias e conquistas, o Vasco atravessou o ano do seu centenário tendo Mauro Galvão como capitão. Só isto já faria do zagueiro um personagem imortal na galeria do clube. Mas o talento e a incrível longevidade do craque – cada vez mais brilhante e influente nas atuações do time – ainda lhe trariam marcas para a posteridade. Mesmo sem Evair e Edmundo – substituídos pelos talentosos Donizete e Luizão – o Vasco não perdeu força, e entrou como franco favorito ao Estadual 98. Dito e feito: papou a Taça Guanabara e, desconsiderando uma das maiores desorganizações já vistas em um campeonato carioca, levou a sério a competição, sagrando-se Campeão num jogo contra o Bangu, no estádio de Moça Bonita, quando ele, o “capitão predestinado”, fez o gol do título, em cima da hora.” (Livro "Mauro Capitão Galvão - Lições de Vida, Lições de Futebol" - pág.75)
 
Mauro Galvão vê o comandante Antônio Lopes erguer a Taça do Estadual de 1998
 
                                                               Campeão da Libertadores

Odvan, Mauro Galvão (a dupla de zaga)
Felipe, Donizete Pantera
e a Taça Libertadores da América,
a grande conquista do Centenário!
 “O zagueiro foi o grande comandante da nau vascaína na travessia rumo a Tóquio. Com experiência e vitalidade – qualidades difíceis de unir -, Galvão deu equilíbrio à defesa e tranquilidade ao voluntarioso Odvan, seu colega de zaga. Ainda teve fôlego para apoiar e exibir toda a sua visão de jogo, como no passe para Luizão marcar o segundo gol na vitória sobre o Barcelona, em São Januário. Esperto na hora de encontrar atalhos e evitar correrias desnecessárias em campo, Galvão está melhor do que nunca. Pode não ter a explosão do distante ano de 1979, quando foi campeão brasileiro pelo Internacional. Pode não ser o zagueiro que corria o campo inteiro em 1989/90, quando foi bicampeão carioca pelo Botafogo. Mas merece os títulos que vem ganhando. Libertadores é uma conquista inédita em seu amplo currículo de vencedor.”
                     (Placar Especial - "Vasco Campeão da América")
 
 

 
É CAMPEÃO!!!
“Como finalista, o Vasco teria pela frente o Barcelona de Guayaquil, modesto time equatoriano. O adversário não resistiu à maior categoria dos vascaínos, que se sagraram campeões do torneio vencendo o adversário por 2x0 em São Januário e por 2x1 no Equador.

O jogo de casa foi uma festa para mais de 40 mil torcedores, com uma inesquecível queima de fogos de artifício pelos festejos do centenário vascaíno. Aos 33 minutos do primeiro tempo – quando o Vasco já vencia por 1x0, golaço de Donizete num chute cruzado de fora da área – Mauro Galvão inicia um contraataque, recebe dentro da área, dribla dois adversários e dá um passe primoroso para Luizão marcar. Zagueiro-atacante? Vasco 2x0. A partida final, realizada no dia 26 de agosto de 98, foi disputada num clima tenso de hostilidade e agressões por parte da torcida equatoriana... com gols de Luizão e Donizete, o Vasco venceu por 2x1.” (Livro "Mauro Capitão Galvão - Lições de Vida, Lições de Futebol" - pág.75)



Em 1999, logo na primeira competição disputada no ano, mais uma conquista: Vasco Campeão do Torneio Rio-São Paulo. Mais uma vez, Mauro Galvão foi decisivo. O capitão fez, de cabeça, um dos gols da primeira partida da final contra o Santos e ainda fez o lançamento para Zezinho marcar o terceiro (Vasco 3x1).

"... nesta temporada que se inicia, o exemplo de jogador versátil para mim é Mauro Galvão ... salvando gol em cima da linha, fazendo um gol de cabeça e, requinte supremo para um zagueiro, fazendo do meio de campo um lançamento milimétrico, à la Didi ou à la Gérson, para Zezinho liquidar a fatura no terceiro gol do Vasco..." (Fernando Calazans, O Globo - 02/03/1999)


Uma justa homenagem! (1999)






Ainda em 1999, uma justa homenagem ao grande zagueiro cruzmaltino: é publicado o livro "Mauro Capitão Galvão - Lições de Vida, Lições de Futebol", escrito por Hélio Ricardo, Produtor Teatral e Bacharel em Comunicação Social.










Um líder acima da faixa de capitão!

Quando perdeu a braçadeira de capitão para o Edmundo (que retornava da Fiorentina/Itália), Mauro Galvão declarou:
"Não me senti diminuído, pois o posto já estava prometido a ele. Como capitão, não poderia me tornar um problema para o time” ... ... “Não é preciso portar uma braçadeira de capitão para exercer liderança. O importante é ter o respeito de todos e isso não vai mudar com a volta do Edmundo”.
(Revista Oficial do Vasco - março de 2000)


Além da classe dentro e fora de campo, seguramente a liderança é outro ponto a favor do zagueiro, que completou a expressiva marca de 1.000 jogos como profissional na segunda partida das semifinais do Torneio Rio-São Paulo, contra o São Paulo (Vasco 2x1 São Paulo - 23/02/00). A Revista Oficial do Vasco de março de 2000 fez uma matéria especial com Mauro Galvão por conta dessa marca.




"Completar 1.000 jogos em 20 anos de carreira como profissional é algo que envaidece Mauro Galvão. Principalmente porque a marca foi alcançada atuando apenas por seis clubes e pela Seleção Brasileira. Poucos craques tiveram o privilégio de completar duas décadas em atividade e ostentar quatro dígitos de atuações no currículo. O último vascaíno tinha sido Roberto Dinamite – o maior artilheiro e ídolo da história do clube – que jogou como profissional de 1971 a 1992.





Ilustração de Mário Alberto/
Ag. Lance


Entrar para um seleto grupo, vestindo a camisa do Vasco, é outro motivo que emociona Mauro Galvão. Ao decidir trocar Porto Alegre pelo Rio de Janeiro, em julho de 1997, depois de ter sido campeão brasileiro e da Copa do Brasil pelo Grêmio no curto espaço de um ano, o zagueiro desafiou muitas opiniões contrárias: “Até no aeroporto, na hora de embarcar, encontrei gente ligada ao futebol garantindo que eu iria fazer besteira. Todo mundo me dizia que o Vasco era um clube complicado, difícil para qualquer atleta por causa dos dirigentes. Não me arrependo. Estou trabalhando onde me sinto bem”, revelou o ídolo que renovou contrato até 31 de dezembro deste ano (2000)." (Revista Oficial do Vasco - março de 2000)







Confira o vídeo sobre a partida Vasco 2x1 São Paulo
(o milésimo jogo do Mauro Galvão):


Em 2000, o Vasco seguia com um elenco fantástico! Hélton, Felipe, Juninho Paulista, Juninho  Pernambucano, Romário, Euller, Pedrinho, Mauro Galvão... E de forma brilhante foi Campeão da Copa Mercosul (a virada do milênio!) e Campeão Brasileiro (Copa João Havelange).


Campeão Brasileiro (2000) - último título de Mauro Galvão no Vasco


“O que mais me impressiona em Mauro Galvão é que, não tendo absolutamente físico de zagueiro, ele consegue ser um dos melhores que já apareceram neste país. Mauro Galvão não tem altura de zagueiro, não tem força de zagueiro, não tem perna de zagueiro – mas é um grande zagueiro. Tem, em contrapartida, uma coisa que a maioria dos zagueiros não tem: classe. E uma classe que se acentua com o correr do tempo, porque é uma feliz combinação de categoria e experiência. E tem, ainda por cima, a capacidade de exercer uma serena liderança, quase sem gestos e certamente sem um pingo de exibicionismo. É líder por natureza, desses que não precisam chamar a atenção nem assumir atitudes espalhafatosas para impor a sua personalidade. E é isso que eu chamo de classe!” (Fernando Calazans - Cronista Esportivo)




O Capitão no topo da América!
(foto da Placar)

  Um pouco mais sobre M. Galvão:

- Bola de Prata: 1979, 1985, 1997
(único jogador brasileiro a conquistar o prêmio da Placar em três décadas diferentes);

- 38 jogos pela Seleção Brasileira;

- encerrou a carreira de jogador no Grêmio de Porto Alegre, em 2001, conquistando mais um Campeonato Gaúcho;

- um dos maiores exemplos de longevidade no futebol (22 anos como profissional e em altíssimo nível).







Obrigado, Capitão!!!

      "Durante o período em que defendeu o Vasco, Mauro Galvão provou ser, disparado, o maior zagueiro brasileiro em atividade, no Brasil e no exterior. Só não pensou assim a Comissão Técnica da Seleção, que, alegando a idade do jogador, abriu mão de sua convocação para a Copa de 1998. Assim, os torcedores brasileiros tiveram que engolir, envergonhados, as trapalhadas da defesa, que tomou durante a Copa um total de 11 gols, vários deles por consequência de falhas individuais. A ausência de Mauro Galvão na Copa da França pode ter custado mais do que caro: pode ter custado o penta." (Mauro Prais)





Fontes:

- Livro "Mauro Capitão Galvão - Lições de Vida, Lições de Futebol", de Hélio Ricardo;
- Revista Oficial do Vasco (março de 2000);
- Revista Placar Especial - Centenário do Internacional (publicada em 2009);
- Site do Mauro Prais (www.netvasco.com.br/mauroprais);
- Placar Especial "Vasco Campeão da América".

sábado, 28 de agosto de 2010

DANILO ALVIM


Danilo Faria Alvim
Nascimento: 3/12/1920, Rio de Janeiro-RJ
Falecimento: 16/5/1996, Rio de Janeiro-RJ
Período: 1946 a 1954
Títulos: Carioca (1947, 1949/50, 1952) e Sul-Americano (1948)
Posição: Médio

 
"O  Príncipe"
 
 
 
 
 
 
 
 
 

“Príncipe! Era mesmo uma apelido perfeito. Danilo tinha técnica refinada, que se expressava em dribles curtos, passes precisos e lançamentos majestosos” (Revista Placar “Os Esquadrões dos Sonhos” nov/1994)
 
 

Confira a biografia de Danilo publicada pela Revista Placar e reproduzida pelos sites "Museu dos Esportes" e NETVASCO:


"Por pouco Danilo Alvim não ficou inutilizado para o futebol quando começava a jogar como profissional. Em janeiro de 1941, ao descer de um ônibus, na Praça da Bandeira, e tentar pegar um bonde em movimento, foi atropelado por um automóvel. O boletim de uma das enfermarias do Hospital de Pronto Socorro, que depois mudou o nome para Hospital Souza Aguiar, informava que o paciente Danilo Faria Alvim, de 19 anos, jogador do América, havia fraturado as pernas (em 39 lugares! ficando com a tíbia exposta). Ele ficou 18 meses engessado. Somente no segundo semestre de 1942 é que voltou a fazer exercícios de recuperação muscular. Mesmo com dificuldade, sua paixão pela bola era tão grande que nunca o deixou perder as esperanças de voltar a jogar futebol.
Chico, o técnico Flávio Costa e Danilo 
(foto publicada na Placar Especial "VASCO", abril/1979)
Voltou exibindo tanta classe e categoria que logo recebeu o apelido de Príncipe. Sua oportunidade surgiu quando o técnico Flavio Costa levou uma seleção carioca para treinar no campo do América. O centro médio Rui se machucou e Flavio colocou Zazur em seu lugar. Para completar o time reserva, pediu ao treinador dos juvenis do América que indicasse um jogador do clube para terminar o treino. Danilo que estava nas arquibancadas foi chamado e entrou para treinar contra os cobras com muita naturalidade. Terminado o treino, Flavio Costa convocou Danilo.
Antes de se transferir para o Vasco da Gama, ainda jogou no Canto do Rio em 1943. Foi para lá por empréstimo, dispensado pelo técnico do América, Gentil Cardoso. Percebendo a mancada que deu, Gentil o trouxe de volta para Campos Sales.
Danilo foi para o Vasco através do treinador Ondino Vieira, que foi pessoalmente contratá-lo por 90 contos de luvas e 2 contos mensais. Ganhou seu primeiro titulo de campeão carioca em 1947. Repetiu a dose em 1949. 1950 e 1952. Também foi campeão dos clubes campeões em 1948 no Chile. Campeão brasileiro pela seleção carioca em 1950 e campeão sul-americano em 1949. Foi vice campeão mundial em 1950, quando sofreu a maior decepção de sua carreira. Em 1954 se transferiu para o Botafogo onde ficou por dois anos. Mas, já não era o mesmo. Estava chegando ao fim uma das mais brilhantes carreira de um jogador de futebol. Depois de quinze anos correndo atrás da bola, Danilo entregava os pontos. Logo depois virou técnico. Em 1963, como treinador da seleção da Bolivia, conquistou o titulo de campeão sul-americano.
 Danilo Alvim que chegou a ser o “O Príncipe do futebol brasileiro”, passou seus últimos de dias na rua da amargura. Vivendo com uma aposentadoria de salário mínimo, morava em um pequeno apartamento no centro do Rio de Janeiro. Depois da morte de sua mulher, a solidão tomou conta de Danilo. Com a memória desgastada pelo tempo, Danilo faleceu no dia 16 de maio de 1996. (Revista Placar - reproduzido no NETVASCO)




A ida de Danilo Alvim para o Vasco


O Príncipe recebendo
a faixa de Campeão/1952
“Assim, na última rodada do torneio (Torneio Relâmpago de 1945), teríamos mais um Vasco e América decisivo. Mas naquele dia, não brilhou nem a estrela de Lelé, nem a de Isaías, muito menos a de Chico: quem acabou com o jogo foi Danilo Alvim. Com uma atuação impecável, o craque levou a equipe rubra a virar o marcador adverso de 1 a 0 e levantar o troféu com uma bela vitória por 2 a 1, com gols de Maneco. A diretoria vascaína não deixou barato e no ano seguinte levou Danilo para São Januário, mantendo a tradição de que quem arrebentasse contra o Vasco não poderia mais fazê-lo, já que teria que passar rapidamente para o lado da nau vascaína. E o Príncipe, como foi carinhosamente chamado pela torcida, seria um dos grandes ídolos do clube em bem pouco tempo” (pág 12 e 13  do Livro “Um Expresso Chamado Vitória”)







Príncipe Danilo, Nilton Santos e Zizinho - geniais!
(foto publicada na Manchete Esportiva)
Na Revista Manchete Esportiva n.102, de novembro de 1957, há uma matéria com o Príncipe Danilo (aliás, a foto acima é desta revista). Reproduzo uma pequena parte: " Danilo viu atuar muita gente e considera Zizinho, Jair e Ademir um trio de atacantes como talvez não surja outro igual. Entretanto, dos novos, fala com especial admiração dos ponteiros Garrincha e Telê (são os maiores jogadores que já vi em toda minha vida - diz Danilo). Um scratch de todos os tempos assim poderia ser escalado por Danilo - Barbosa (Castilho); Augusto e Domingos; Bauer, Rui e Noronha; Garrincha (Telê), Zizinho, Ademir, Jair e Vevé."
Como podem perceber, por humildade, o Príncipe não se escala no time de todos os tempos (em 1957), mas certamente teria vaga nele.



Danilo, Jorge e Ely
(foto que fiz de um dos painéis do Vasco que há no Maracanã)


O “Príncipe Danilo”, com toda a elegância de seu futebol, formou, ao lado de Ely e Jorge, a linha média mais famosa do futebol brasileiro envergando a gloriosa camisa cruzmaltina.







O jornalista (e vascaíno) Sérgio Cabral fala um pouco sobre o Príncipe em sua crônica na Revista Oficial do Vasco deste mês, recordando dois grandes lances de Danilo:


“Vasco x Bangu, domingo de manhã, no Maracanã: o goleiro Barbosa cobrou tiro de meta e correram para alcançar a bola Danilo e Zizinho. Danilo chegou à frente e, com um leve toque com o peito do pé, encobriu o adversário. Ou seja, Danilo deu um lençol no Mestre Ziza, que maravilha! Mas não posso esconder o fato de que, no segundo tempo, Zizinho daria o mesmo lençol em Danilo. Eram dois jogadores fantásticos.
Não me lembro se já contei aqui a estranha matada de bola do Príncipe Danilo, num Vasco x Fluminense. Sei que o ponta-esquerda tricolor, Joel – que não era craque, mas chutava com incrível violência -, disparou uma bola que, se tivesse a velocidade medida, deve ter atingido algo em muito próximo dos 200 quilômetros por hora. Sei que Danilo, a mais ou menos 10 metros do chute, levantou a perna, a bola percorreu-a toda (imaginem onde parou) e o nosso Príncipe saiu com ela como se tivesse recebido o passe de um companheiro.
Para minha alegria, tempos depois vi o Danilo conversando com o Sandro Moreira, na redação do Diário da Noite, onde iniciei minha vida de jornalista. Aproximei-me e entrei na conversa para perguntar a Danilo, primeiramente, se ele lembrava da jogada e, em seguida, para revelar com que parte do corpo matara aquela bola. “Com a cabeça”, me disse sorridente, expressão que traduzi: “com a inteligência”. Mas até hoje, não sei onde a bola bateu. Se fosse no local para onde ela se dirigia, Danilo deveria ter saído direto do Maracanã para o pronto-socorro.”
(Revista Oficial do Vasco, agosto/2010, Crônica do Sérgio Cabral)








Pela seleção brasileira, foi campeão Sul-Americano em 1949 e vice Mundial em 1950. Foi um dos jogadores mais técnicos que o Brasil viu jogar e um dos mais dedicados às camisas que vestiu.















Na final da Copa de 1950, com a inesperada derrota para o Uruguai, Danilo saiu chorando do Maracanã, amparado pelo locutor Jaime Moreira, momento registrado em uma das mais famosas fotos do “Maracanazzo”.









Danilo no Botafogo
(foto da Manchete Esportiva)
"Em 1953, transferiu-se para o Botafogo e em 56, de passe livre, assinou com o Uberaba, acumulando as funções de jogador e técnico. Reza a lenda que, no ano seguinte, quando Danilo Alvim queria ser só treinador, o Santos foi jogar um amistoso em Uberaba. O então bicampeão paulista tinha nada mais, nada menos, que Jair Rosa Pinto na meia-esquerda. Mas em campo, de maneira surpreendente, o Colorado findou a primeira etapa empatado com o time da baixada santista. Então, durante o intervalo, no vestiário, antes das instruções, Alvim calçou as chuteiras e disse: “Vou fazer esse segundo tempo”. Foi, fez e ajudou o Colorado a vencer. No final, parabenizado por Jair, teria dito ao ex-companheiro de seleções e do Vasco que aquela fora a sua última partida como jogador profissional. Em 57, convenceu Zizinho, o Mestre Ziza, outro dos grandes jogadores da história do futebol brasileiro, a jogar no Uberaba.
Como treinador levou a Bolívia ao seu único título sul americano, em 1963. Segundo o ex-zagueiro Pavão, que foi treinado por Danilo no Uberaba no final dos anos 50, o “Príncipe” contou que havia perdido praticamente tudo o que havia ganho como grande jogador que foi e que só restava uma casa no Rio de Janeiro em seu nome. Pediu para que não jogassem dinheiro pela janela e evitassem desperdícios. Infelizmente, as suas lições não o livraram de um destino triste, pois findou os dias em um asilo de velhos no Rio de Janeiro, onde morreu de pneumonia em 16 de maio de 1996."
(Blog "Só Vasco da Gama", Jorge Costa)


Obs. 1) Juntamente com Barbosa, Ademir Menezes e Roberto Dinamite, Danilo forma um grupo restrito de ex-jogadores vascaínos que figurou em todas as eleições de "melhor time do Vasco de todos os tempos" realizadas até hoje pela Revista Placar (publicações nos anos de 1982, 1994 e 2006).

Obs. 2) Com a camisa cruzmaltina, Danilo fez 310 jogos e 11 gols. (Revista Placar "Meu Time dos Sonhos", 2006)





"Danilo era alto, magro e tinha estilo clássico e técnica refinada, com absoluto controle de bola e passes e lançamentos precisos. No Vasco, continuou a demonstrar toda a sua categoria na fase áurea do mitológico Expresso da Vitória e foi titular de todas as Seleções, inclusive a vice-campeã da Copa de 1950."  (Mauro Prais)


“Ah, o Danilo... Como ele jogava!!!” – Tia Aida: fundadora da Torcida Organizada do Vasco (TOV).







Fontes:

- Revista Placar "Os Esquadrões dos Sonhos" (nov/1994)
- Revista Placar "Meu Time dos Sonhos" (2006)
- Site NETVASCO
- Site do Mauro Prais (www.netvasco.com.br/mauroprais)
- Livro “UM EXPRESSO CHAMADO VITÓRIA”, Alexandre Mesquita e Jefferson Almeida
- Blog "Só Vasco da Gama" (http://sovascodagama.blogspot.com/), Jorge Costa
- Revista Manchete Esportiva, n. 102, novembro de 1957
- Revista Oficial do Vasco (agosto/2010)